3 Agosto 2021
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Tubarão frade Versão para impressão Enviar por E-mail

O tubarão frade ou pelegrino é o maior tubarão dos mares da Madeira, logo depois do tubarão baleia. A origem do seu nome deve-se ao hábito que esta espécie tem flutuar, por vezes quase imóvel, à superfície da água, de boca bem aberta de forma a permitir a entrada de quantidades incalculáveis de água. Foi observada a primeira vez na Madeira por Adolfo Cesar Noronha e Artur Sarmento em 1934.

Identificação

Tubarão muito grande, com olhos pequenos; focinho pontudo com cinco longas fendas branquiais que quase rodeiam a cabeça. Boca muito grande e triangular, munida de milhares de minúsculos dentes similares em ambas as mandibulas. 

O dorso e os flancos podem ser castanhos, cinzentos ou quase pretos. O ventre é geralmente mais e por vezes apresenta manchas irregulares dispersas. 

 

 

 

 

Biologia


Espécie que atinge 12 m de comprimento e 5 toneladas de peso.

O comprimento à nascença situa-se entre 1,5 e 2m; a taxa de crescimento é lenta (estimativa: 12-16 anos para crescer até aos 4.5-6 m de comprimento); longevidade estimada até 50 anos.

Espécie pelágica costeira; ocorre desde a zona de rebentação e ambientes costeiros protegidos até águas profundas mais ao largo sobre a plataforma e talude continental; distante nerítica. Embora preferida aguas entre os 8 e os 14,5°C

O tubarão-frade atinge a maturidade sexual tarde e só se reproduz entre os 12 e 16 anos no caso dos machos e os 20 anos de vida no caso das fêmeas. Fertilização interna e período de gestação bastante longo; (ca. estimativas: mais de 1 ano até 3 anos). Pouco de sabe relativamente à reproduiçao e apenas um nascimento com 6 crias foi registado.

 

Distribuição

Apresenta uma distribuição anti-tropical isto é, evita as regiões tropicais e equatoriais no Atlântico e no Pacífico; no Índico a espécies está restrita ao hemisfério sul.

No Atlântico noroeste ocorre desde o Canadá até à Florida; no Atlântico nordeste desde o norte da Noruega e Islândia, ao longo da costa europeia; entra no Mediterrâneo ocidental; e ao longo da zona de afloramento costeiro da Mauritânia; Açores, Madeira e Canárias.

Migrações efetua migrações horizontais complexas relacionado com regimes de produtividade e temperatura. Na Primavera e Verão os tubarões-frade migram para as águas costeiras temperadas e frias; no final do Verão os indivíduos dispersam para dentro do oceano, provavelmente, sobre a plataforma e/ ou talude continental; sabe-se pouco acerca do seu paradeiro durante o Outono e Inverno. 

Até à pouco tempo pensava-se que este tubarão poderia hibernar em profundidade no Outono e Inverno e usar as reservas energéticas do fígado; no entanto, estudos recentes, com telemetria demonstraram que tal não acontece; em vez de hibernar realizam migrações extensas percorrendo até 3.400 km e verticais até aos 750 m de profundidade para tirar vantagem da produtividade da plataforma continental. 

 

Curiosidades

Os tubarões-frade flutuam à superfície pois têm um grande do fígado que é responsável por até 25% do seu peso corporal. O fígado é rico em esqualeno, um hidrocarboneto de baixa densidade, que ajuda a dar ao tubarão a flutuabilidade quase neutra. A sua boca abre-se por períodos de 30 a 60 s; quando se fecha a água que se encontra nesse momento dentro da boca é expelida pelas fendas branquiais e o plancton filtrado ingerido, sendo que um tubarão-frade de grandes dimensões poderá filtrar até 5000 toneladas (i.e. 5000000 l) de água por hora!

A espécie é considerada inofensiva e tolerante à proximidade de embarcações e mergulhadores; no entanto, quando molestados (por exemplo arpoados) os indivíduos poderão ser agressivos.

Não é normal este tipo de animal frequentar águas madeirenses, e o último registo de um exemplar desta espécie aconteceu a 29 de Janeiro de 2000, quando um tubarão-frade com perto de 3 metros e 100 kg de peso deu à costa no Seixal (costa Norte da Madeira). Quem o encontrou foram dois pescadores locais que logo alertaram a GNR. O tubarão frade foi transportado para a Estação de Biologia Marinha do Funchal onde foi amostrado e posteriormente conservado.  Quando deu à costa, o exemplar encontrava-se muito debilitado (muito magro) e apresentava poucos sinais de vida.  Não é normal este tipo de animal frequentar águas madeirenses, e o último registo de um exemplar desta espécie tinha acontecido há mais de 50 anos. 

Medidas nacionais e internacionais para a conservação do tubarão-frade (Cetorhinus maximus)

Em 1993, a espécie estava classificada pela IUCN como Insuficientemente conhecida ("K"), o que lhe conferia um estatuto de espécie provavelmente ameaçada. Em 1993 o tubarão-frade foi classificado na Lista Vermelha de Peixes Marinhos e Estuarinos (ICN, 1993) como Raro ("R") para as águas portuguesas (continentais e insulares). A classificação "R" implica que a espécie seja considerada em risco. O factor de ameaça identificado foi a captura acidental. As medidas de conservação preconizavam sensibilização das comunidades piscatórias tendentes a diminuir a mortalidade da espécie!

A cronologia dos acontecimentos legais de protecção à espécie abaixo compilados baseia-se principalmente em informações contidas em Knickle et al.:

-> 1993 - peritos chegam à conclusão que a população global desta espécie tinha decrescido cerca de 80%;

-> 1995 - o tubarão-frade é incluído no Anexo II (espécies ameaçadas e em perigo) do Protocolo Considerando Especialmente para Áreas Protegidas e Diversidade Biológica no Mediterrâneo (1995), da Convenção de Barcelona; ao abrigo deste protocolo a espécie é parcialmente protegida em Malta e Itália;

-> 1997 - a captura da espécie é proibida na costa Atlântica dos Estados Unidos da América pela U.S. National Marine Fisheries Services;

-> 1998 - o governo Britânico anuncia programa de proteção à espécie; proposta de incluir o tubarão frade no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES);

-> 1999 - o Comité de Pescas da FAO adopta o International Plan of Action for the Conservation and Management of Sharks (IPOA - sharks) relacionado com a gestão de pescas de tubarões; o C. maximus é umas das espécies visadas; a implementação do plano tem tido dificuldades; actualmente a FAO está trabalhar no reconhecimento genético (DNA) dos derivados de tubarão-frade (barbatanas e óleo);

A UK Biodiversity produz um Plano de Acção visando a protecção da espécie à volta das Ilhas Britânicas (ver http://www.ukbap.org.uk); o plano aponta para um conjunto de acções integradas, a diversas escalas, visando a protecção e o conhecimento da espécie;

-> 2000 - os U.S. Departments of Commerce and Interior apoiam a inclusão do basking shark no Apêndice II da CITES; a American Fisheries Society (AFS) reconhece que a população de tubarão-frade nas costas Atlânticas da América do Norte está dependente da sua conservação; 

O estatuto do tubarão-frade foi classificado pelo Grupo de Especialista em Tubarões da União para a Conservação do Mundo (IUCN/ SSC) como Vulnerável (VU A1ad+2d) na IUCN Red List (Hilton-Taylor, 2000; ver: http://www.redlist.org/search/details.php?species=4292);

-> 2001 - a Comunidade Europeia instituiu uma quota zero para a captura de tubarão-frade nas suas águas; 

-> 2003 - a comercialização internacional da espécie encontra-se restrita por inclusão no Apêndice II da CITES (28.05.2003);

-> 2005 – estatuto vulnerável (A2ad+3d ver 3.1) dos tubarões pelo IUCN/ SSC.

 

Bibliografia

Compagno, L.J.V., 1984. Sharks of the World: an annotated and illustrated catalogue of shark species known to date. Part 1 Hexanchiformes to Lamniformes. FAO Species Catalogue, 125 vol. 4, part. 1

Compagno, L.J.V. (1999) Checklist of living elasmobranchs, pp. 471–498. In: Hamlett, W. C. [ed.]. Sharks, skates, and rays: the biology of elasmobranch fishes. The Johns Hopkins Univeristy Press, Baltimore & London., i–x, 1–515.

Compagno, L.J.V, M. Dando S. Fowler. 2005. A field guide to the sharks of the world. Harper Collins Publ. Ltd. London. 368 pp.

Documento Ref. CoP 12 Prop. 36; Inclusion of Basking Shark Cetorhinus maximus in Appendix II. Proponent: United Kingdom (on behalf of the Member States of the European Community). http://www.iucn.org/webfiles/doc/SSC/CoP12/Analyses/1236.pdf; Outubro 2003.

Froese, R. and D. Pauly. Editors. 2003. FishBase. World Wide Web electronic publication. www.fishbase.org, version 24 September 2003

Knickle, C., L. Billingsley & K. DiVittorio (s/d) Ichthyology at the Florida Museum of Natural History, Biological profiles, Basking Shark. (pode ser consultada em: www.flmnh.ufl.edu/fish/Gallery/Descript/baskingshark/baskingshark.html).

UK Biodiversity; Species Action Plan for Basking Shark (Cetorhinus maximus); Outubro de 2003; http://www.ukbap.org.uk/asp/UKPlans.asp?UKListID=203#4

 

São animais de médio e grande porte, podendo os indivíduos desta espécie atingir 1,5 m de comprimento e um e um peso total igual ou superior a 10 Kg
 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Chondrichthyes
Ordem: Lamniformes
Família: Cetorhinidae
Género: Cetorhinus
Espécie: C. maximus (Gunnerus 1765)
Autor desta ficha
Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo
Directora da Estação de Biologia Marinha do Funchal
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