3 Agosto 2021
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Golfinho-roaz Versão para impressão Enviar por E-mail

Foto de Pedro Neves

O golfinho-roaz é uma das espécies mais conhecidas de mamíferos marinhos no mundo inteiro. Tal deve-se ao facto de ser uma espécie cosmopolita, que ocorre nos mares temperados e tropicais de todo o mundo, tanto em águas costeiras como offshore. 

A popularidade proporcionada pela série televisiva Flipper e a sua capacidade de viver em cativeiro, tornou esta espécie numa verdadeira embaixadora dos cetáceos para o público em geral e para os investigadores.

 

Identificação

Foto de Rita FerreiraO golfinho-roaz é uma espécie de cetáceo com corpo robusto, um bico bastante curto e espesso, sendo o maxilar inferior proeminente relativamente ao maxilar superior. A cabeça tem um melão frontal arredondado com um sulco pronunciado a separar o bico da testa.

A coloração do golfinho-roaz varia de cinzento-claro a cinzento-escuro na região dorsal do corpo, sendo mais clara na barriga, em tons brancos e rosa.

São golfinhos que no estado adulto podem atingir entre 2-4 metros. Não obstante, o tamanho dos indivíduos desta espécie é muito variável de acordo com o seu habitat. Geralmente os indivíduos que habitam águas temperadas e tropicais apresentam menores dimensões e têm menos gordura corporal, do que os indivíduos de águas oceânicas e mais frias. Pesam geralmente entre 150 a 650 Kg, sendo que os machos são maiores e mais pesados do que as fêmeas.

     

Biologia e distribuição

Foto de Rita FerreiraO golfinho-roaz é uma espécie que se adapta a uma série de habitats marinhos, estuarinos e até mesmo rios. É comum próximo da costa e em zonas oceânicas, sobretudo, junto a ilhas como as ilhas do arquipélago da Madeira.

A distribuição mundial da espécie abrange as águas temperadas e tropicais dos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Ocorre também nos mares Mediterrâneo e Negro.

O golfinho-roaz pode ocorrer sob a forma de dois ecótipos: o costeiro e o “offshore”. O primeiro, está mais adaptado a águas mais quentes e pouco profundas; são animais mais pequenos que tendem a formar grupos menores. O ecotipo “offshore” vive principalmente em mar alto, tem o corpo maior e mais adaptado águas mais frias e profundas .

Esta é uma espécie gregária, que pode ser observada em grupos cujo tamanho varia desde poucos indivíduos até poucas dezenas, ainda que possam também ser observados em grupos de algumas centenas de indivíduos. A composição dos grupos é dinâmica, existindo segregação sexual, etária e familiar. Também formam grupos mistos com as Bocas-de-panela, nos quais estão normalmente em inferioridade numérica.

A velocidade de cruzeiro desta espécie é lenta mas quando em alimentação podem atingir picos de 25 nós. Estudos de telemetria indicaram que alguns golfinhos roaz podem viajar grandes distâncias num curto intervalo de tempo.

A dieta do golfinho-roaz é baseada em pequenos peixes, lulas e polvos e aparenta ser oportunista na escolha de presas. O modo de alimentação varia muito, podendo ser individual ou em grupo.

As fêmeas desta espécie atingem a maturação sexual mais cedo (5-10 anos) que os machos (entre os 8-14 anos), dão à luz a uma única cria, após um período de gestação que dura cerca de um ano e com um intervalo mínimo de cerca de 2 anos entre nascimentos. Ainda que existam nascimentos durante todo o ano, parecem existir picos nos meses mais quentes. O aleitamento é o primeiro modo de alimentação durante o primeiro ano de vida, podendo continuar por mais meses ou anos. O investimento maternal na cria é muito elevado e pode durar por 3 a 6 anos, dando-se a separação com o nascimento de nova cria.

É uma espécie ocorre no mar da Madeira ao longo de todo o ano, com presença bastante comum em todo o mar do arquipélago da Madeira, até bem próximo da costa. Estudos de foto-identificação conduzidos pelo Museu da Baleia da Madeira apontam para a existência de um grupo de golfinho-roaz residente nas águas do arquipélago da Madeira. Não obstante, na Primavera e Verão, há um aumento de avistamentos que parece ser resultante da passagem de roazes transeuntes que permanecem temporariamente nesta área.

Num contexto geral, os golfinhos-roaz que ocorrem no mar da Madeira, integram uma população pelágica no Atlântico Nordeste, que não é significativamente diferente da população pelágica do Atlântico Noroeste, podendo ser considerada uma população pelágica Atlântica com elevado fluxo genético.

 

 

 

Curiosidades

Foto de Rita FerreiraNo mar o golfinho-roaz está sujeito a ameaças, nomeadamente a captura directa, acidental na actividade pesqueira, alteração de habitat e poluição. Na Madeira existem casos pontuais de interacção com a pesca, mortalidade directa e stress causado pela actividade das embarcações marítimo-turísticas.

O estatuto de conservação (IUCN) do golfinho-roaz a nível global é classificado como “informação insuficiente” e a nível da Madeira classificado como “pouco preocupante”.

A nível regional esta é uma espécie que está protegida ao abrigo do Decreto Legislativo Regional Nº 6/86/M e a nível internacional ao abrigo da Directiva Habitat - Protecção rigorosa da espécie e habitat (anexo II), CITES (anexo II) e Convenção de Berna - Estritamente protegida (anexo II).

O golfinho-roaz é uma espécie frequentemente observada em interacção com embarcações, sendo uma das espécies de cetáceos mais avistada pelas embarcações marítimo-turísticas que se dedicam à observação de cetáceos no mar da Madeira.

 

Referências bibliográficas

Cabral, M. et al., 2005. Livro Vermelho dos Verterbrados de Portugal. Lisboa: Instituto da Conservação da natureza.

Dinis, A. & Ribeiro, C., 2010. Protocolo para a recolha de dados para o estabelecimento de áreas de importância para o roaz no âmbito da rede Natura 2000 (Censos Náuticos), s.l.: Documento preparado no âmbito do projecto CETACEOSMADEIRA II (LIFE07 NAT/P/000646), Museu da Baleia da Madeira, 30p.

Freitas, L. , Dinis, A., Alves, F., Nóbrega, F..2004. Cetáceos no arquipélago da Madeira. 62pp.

Freitas, L., 2004. Estatutos de conservação dos cetáceos no arquipélago da Madeira (documento F)., s.l.: Relatório técnico do Projecto CETACEOSMADEIRA (LIFE99 NAT/P/06432), Museu da Baleia da Madeira..

Quérouil, S. et al., 2007. High gene flow in oceanic bottlenose dolphins (Tursiops truncatus) of the North Atlantic. Conserv Genet, Volume 8, pp. 1405-1419.
Sarmento, A.A., 1936. Mamíferos do Arquipélago da Madeira. Funchal. Junta Peral do Distrito Autónomo do Funchal.

 

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Família: Delphinidae
Género: Tursiops
Espécie: Tursiops truncatus (Montagu, 1821)
Autor desta ficha
Cláudia Ribeiro Cláudia Ribeiro
Bióloga Marinha, investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Madeira (ciimarmadeira). Bolseira pos-doc Agência Regional para o desenvolvimento da investigação tecnologia
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