3 Agosto 2021
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Chama da floresta Versão para impressão Enviar por E-mail

Aspeto geral de S. campanulataA chama da floresta é uma das mais belas árvores ornamentais introduzidas, que pode ser observada nas nossas ruas, avenidas e jardins.

 

 

 

 

 

 

  O género Spathodea, constituído por esta única espécie, é originário do continente africano. 

 

S. campanulata

 

Identificação

Pormenor das flores e fruto de S. campanulata

Árvore de copa mais ou menos arredondada que pode alcançar, no estado selvagem, 7-25 metros de altura. A folhagem da chama da floresta é persistente e as folhas, opostas e imparipinuladas, podem apresentar entre 9 a 15 folíolos elípticos, acuminados, de base ligeiramente assimétrica ou acunheada, de um verde carregado; a página inferior dos folíolos encontra-se coberta por pelos de cor ferruginosa. As flores são grandes, com cerca de 10 cm de comprimento, campanuladas, muito vistosas, vermelho-alaranjadas a escarlates, reunidas em cachos terminais no exterior da copa. Cápsula oblongo-elíptica, deiscente, pode atingir 17-25 cm de comprimento, produzindo numerosas sementes acastanhadas, leves e rodeadas por uma asa membranosa.

Floração: durante todo o ano.

 

  

Distribuição

Pormenor das flores e fruto de S. campanulata

A espécie Spathodea campanulata, também conhecida popularmente como tulipeiro-africano, é nativa de Angola, Benim, Burundi, Camarões, Congo, Costa do Marfim, Etiópia, Gana, Guiné, Guiné Equatorial, Libéria, Nigéria, Quénia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Serra Leoa, Sudão, Tanzânia, Togo, Uganda e Zâmbia.

Na Madeira esta árvore é cultivada em terrenos frescos e quentes, até 200 m de altitude, em jardins públicos, privados, ruas e praças.

 

 

 

Curiosidades

Pormenor dos frutos de S. campanulata

Spathodea campanulata ocupa o top 100 da lista das espécies com um grande potencial invasor a nível mundial.

O botão floral, em forma de bisnaga, tem a capacidade de armazenar água da chuva ou do orvalho matinal; estas estruturas são usadas em brincadeiras de crianças, que tiram partido da sua capacidade de esguichar a água, quando apertados. 

A seiva provoca manchas amarelas nos dedos e na roupa.

Uma vez que a sua madeira é macia, o tulipeiro-africano é por vezes usado por aves, que constroem os ninhos escavando nos troncos. 

As flores da chama-da-floresta, nos seus locais de ocorrência natural, são polinizadas por aves e, provavelmente, por lémures. No Panamá, sabe-se que são polinizadas por morcegos.

Apesar de ser rara na Madeira, existe uma cultivar, Spathodea campanulata ‘Aurea’, cujas flores são mais amareladas que as da espécie original (Fig. – 6 e 7)

Aspeto geral de S. campanulata ‘Aurea’      Pormenor da flor de S. campanulata ‘Aurea’

 

Referências bibliográficas

Fernandes, F. M. & Carvalho, L. M.. 2003. Portugal Botânico de A a Z. Plantas Portuguesas e Exóticas. Lidel – Edições Técnicas, Lda. 362 pp.

Lillo, A. L. & Lorenzo Cáceres, J. M. S.. 2001. Árboles en España. Manual de identificación. Ediciones Mundi-Prensa. 2ª edición. Madrid. 654 pp.

Trigo, J. R. & Santos, W. F. dos. 2000. Insect mortality in Spathodea campanulata Beauv. (Bignoniaceae) flowers. Rev. Brasil. Biol. 60 (3): 537-538.

Zaheer, Z., Paithankar, A. P., Deshpande, S. D., Khan, S. & Ahmed, R. Z.. 2011. Comparative phytochemical screening of flowers and bark of Spathodea campanulata. International Journal of Applied Biology and Pharmaceutical Technology. 2 (1): 233-235.

A nível da Macaronésia, Laurobasidium lauri está presente nas ilhas da Madeira e das Canárias onde parasita o loureiro (Laurus novocanariensis). Também está devidamente documentada a ocorrência desta espécie de fungo na Corunha (Espanha), parasitando árvores de Laurus nobilis e em Portugal Continental (Minho, Beira Litoral e Estremadura) a parasitar a mesma espécie de árvore
 
(Fotos de: Sónia Dória/Gabinete Arte e Design)

 
Taxonomia
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Scrophulariales
Família: Bignoniaceae
Género: Spathodea
Espécie: S. campanulata Beauv.
Autor desta ficha
Juan José Gonçalves Silva Juan José Gonçalves Silva
Conservador de Botânica e Responsável pelo Herbário
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