3 Agosto 2021
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Tartaruga comum Versão para impressão Enviar por E-mail

Uma das espécies emblemáticas das águas oceânicas que banham a Madeira é a tartaruga comum Caretta caretta. Trata-se de um réptil pertencente à família Cheloniidae e como tal tem de vir à superfície para respirar. É aí que a podemos observar. No entanto ela é raramente visível a partir das nossas costas, mas sim observável regularmente quando nos afastamos 2-3 milhas mar adentro, em especial em dias de mar calmo. Trata-se de uma espécie classificada de ameaçada mundialmente (União Internacional para a Conservação da Natureza [IUCN] 1996 “endangered A1abd ver 2.3”) e estritamente protegida através de legislação regional, nacional e internacional.

 

Identificação

A carapaça da tartaruga-comum é cordada em vista dorsal com a largura representando 82 a 94% do comprimento da carapaça em juvenis. Apresenta uma cabeça relativamente grande (daí o seu nome inglês de “loggerhead turtle”. A carapaça está geralmente coberta por 15 escudos, cinco dorsais e duas fiadas de cinco costais, raramente quatro ou seis. O plastrão (“carapaça” inferior) apresenta três escudos inframarginais em cada ponte, sem poros.
Mais de 99% dos avistamentos de tartarugas marinhas na Madeira são desta espécie. Daí ser difícil ser confundida com qualquer outra. Na Madeira ocorrem 5 espécies de tartarugas marinhas: a tartaruga-de-couro, a tartaruga-de-Kemp, a tartaruga-verde e a tartaruga-de-escamas. A tartaruga-comum somente é confundível com a tartaruga-de-Kemp, da qual pode ser diferenciada pela falta de poros inframarginas no plastrão.

Biologia e Distribuição

 A tartaruga-comum tem uma distribuição global ampla em águas tropicais e subtropicais (Hutchinson & Hutchinson, 2006-2007), sendo a espécie da família Cheloniidae (tartarugas marinhas) que pode ser encontrada em águas mais temperadas.
No entanto esta espécie apresenta diversas fases vitais que usam habitats distintos. Sendo um réptil, a espécie reproduz-se através da postura de ovos em praias. As praias de nidificação que contribuem para as tartarugas encontradas ao largo da Madeira situam-se nos EUA (Florida e Carolinas) e muito provavelmente em Cabo Verde. E possível igualmente um pequeno contributo do Mar Mediterrâneo.
Após a eclosão dos ovos os juvenis dirigem-se para o alto mar, permanecendo longe das costas os primeiros 6 a 9 anos da sua vida. É esta a fase vital encontrada ao largo da Madeira, a chamada fase juvenil pelágica ou oceânica. As tartarugas desta espécie na Madeira são portanto todas juvenis. Após esta fase segue-se um segundo período denominado de fase juvenil bentónica, em que os animais permanecem essencialmente junto à orla costeira alimentando-se de animais do fundo marinho. Em regra só após mais de década e meia é que esta espécie atinge a maturidade sexual e começa a se reproduzir. Embora ser esta a sequência geral do desenvolvimento desta espécie, ela parece poder sofrer alguma variabilidade individual e possivelmente geográfica.
Na Madeira a espécie é monitorizada continuamente desde 2007 pela Universidade da Madeira em colaboração com várias empresas náutico-turísticas. A Universidade da Madeira desenvolve também vários estudos sobre a biologia desta espécie desde 1994.

 

Alimentação

A tartaruga-comum é um predador oportunista. Na Madeira a fase juvenil pelágica alimenta-se de tudo o que consiga alcançar, sobretudo de animais gelatinosos como as águas-vivas (alforrecas). Também se aproxima de objetos flutuantes para arrancar os percebes e come carniça quando a encontra. Segue os barcos de pesca para alimentar-se do isco. As fases costeiras alimentam-se de animais bentónicos, em especial crustáceos e moluscos.

Curiosidades

Na Madeira, historicamente, as tartarugas marinhas eram usadas pela população. Por exemplo no Paúl do Mar as mulheres usavam a carapaça como tabuleiro para a venda de peixe. A carne era usada como alimento (ensopado) e os corpos eram vendidos embalsamados principalmente a turistas. A pesca da tartaruga findou em 1985 com a publicação da 1ª lei de proteção a um réptil a nível nacional, o Decreto Legislativo Regional 18/85/M. Hoje em dia a principal ameaça regional a esta espécie é através da pesca em palangre (“longlines”) ao peixe-espada-preto a qual captura e mata acidentalmente algumas centenas de animais. A segunda ameaça são os lixos persistentes, vulgo plástico no mar, nos quais as tartarugas se podem enredar ou os quais são confundidos pelas tartarugas com o seu alimento preferido, as águas-vivas (alforrecas).

 

 

Referências bibliográficas

Dellinger, T. 2008. Tartarugas marinhas. In: (Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A. & Paulo, O.S. eds). Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, Lisboa, pp. 193-209.

Dellinger, T. 2007. Mares da Madeira - Creche das tartarugas no Atlântico desde tempos imemoriais. Islenha 41(Dezembro), 166-175.

Freitas, C. & Dellinger, T. 1999. Tartarugas Marinhas na Madeira. Projecto Tartarugas Marinhas da Universidade da Madeira, Funchal.

Dellinger, T. 2010. Tartarugas Marinhas. In: (Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A. & Paulo, O.S. eds). Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Esfera do Caos Editores, Lisboa, pp. 188-205.

Hutchinson, B.J. & Hutchinson, A. 2006-2007. A global snapshot of loggerheads and leatherbacks. The State of the World’s Sea Turtles Report II, 20-25

 

A Alma Negra (em inglês Bulwer’s Petrel) é uma ave marinha de pequeno porte que se encontra com regularidade nos mares em volta das ilhas que compõem o arquipélago da Madeira. O seu nome advém do facto de ser uma ave pequena e ágil e toda negra
 

 

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Cheloniidae
Género: Caretta
Espécie: caretta (Linnaeus 1758)
Autor desta ficha
Thomas Dellinger Thomas Dellinger
Professor associado da Universidade da Madeira
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