3 Agosto 2021
pt | en Contactos | Mapa do Site
Página Inicial » Espécie do Mês » Alga vermelha
Alga vermelha Versão para impressão Enviar por E-mail

Alga vermelha, originária da Austrália e Nova Zelândia. Espécie anual, encontrada no infralitoral, fotófila (requer bastante iluminação), epífita sobre outras algas e oportunista. A sua coloração varia entre rosa avermelhado e rosa claro.  Esta espécie não é digerível pela maioria dos herbívoros marinhos devido a se defender quimicamente, mas na Austrália são conhecidos dois predadores: a lesma do mar Aplysia parvula e a concha orelha Haliotis rubra.

 No ciclo de vida de Asparagopsis armata verificamos a existência de duas fases (Gametófita e Esporófita) morfologicamente distintas. São tão diferentes que já chegaram a ser classificadas como duas espécies diferentes (o tetrasporófito foi denominado de Falkenbergia rufolanosa).
Espécie perene com clara flutuação sazonal na abundância, sendo mais comum durante o período estival. A forma Falkenbergia (tetrasporófito) pode ser encontrada ao longo de todo o ano, a forma Asparagopsis (gametófito) é mais comum entre o inverno e a primavera. Ambas as fases são frequentemente encontradas a crescer sobre outras algas (epífitas), especialmente em associação com espécies de algas verdes do género Ulva.

 

Biologia e distribuição

O Gametófito Asparagopsis armata, forma tufos piramidais eretos rosa-pálido com 5 a 30 cm de altura, tem os talos plumosos fixos ao substrato através de um sistema estolonífero. O talo é constituído por eixos cilíndricos, abundantemente ramificados, com numerosos pequenos ramos (especialmente na parte superior), originando o seu aspeto característico de “espargo” (em latim Asparagus). Apresenta também ramos espinhosos característicos com forma de arpão, com alguns centímetros de comprimento, que permitem à alga fixar-se sobre a fronde de outras algas. O órgão de fixação tem a aparência de uma teia de pequenas raízes.

O tetrasporófito, designado de Falkenbergia rufolanosa, é morfologicamente muito distinto do gametófito, formando pompons filamentosos de cor rosada e consistência de algodão com 1 a 3 cm de diâmetro.

Asparagopsis armata é uma conhecida espécie invasora, capaz de se sobrepor a espécies nativas ocupando facilmente os ecossistemas costeiros devido à sua capacidade de propagação por fragmentação e reprodução vegetativa. Deste modo, o cultivo em aquacultura de A. armata é um meio eficaz para a introdução desta espécie invasora em novos ecossistemas. No entanto, embora seja uma espécie invasora tem também um efeito positivo, servindo de refúgio e alimento para várias espécies de invertebrados e peixes.

Espécie originária da Austrália e Nova Zelândia, naturalizada nas costas europeias desde 1925. Encontrada no Atlântico nordeste (desde as ilhas Shetland até Marrocos), Mediterrâneo e Indo-Pacífico. No arquipélago da Madeira é comum em poças de maré abrigadas localizadas da zona inferior do intertidal e em águas rasas (máximo 15m de profundidade) onde chegam a formar “tapetes” extensos.

 

Curiosidades e usos

A presença de iodo em Asparagopsis armata é comprovada pelo tom azul do papel onde os seus exemplares são conservados em Herbário.

O extrato de Asparagopsis armata é um poderoso antioxidante com propriedades antibacterianas. É também um composto valioso para a indústria da cosmética.

Esta espécie é também colhida ou cultivada com o objetivo de produzir um ficocolóide denominado de Agar, substância química gelatinosa usada no processamento de alimentos e na fabricação de diversos produtos. É também globalmente conhecido como um meio de crescimento em microbiologia.

No arquipélago da Madeira verificamos a ocorrência de uma espécie semelhante, Asparagopsis taxiformis, que se distingue pela ausência dos ramos curtos espinhosos com forma de arpão.

 

 

Referências bibliográficas

Araújo, R., Freitas, M. & Monteiro, J. 2008. Eco-Parque Marinho do Funchal. Câmara Municipal do Funchal. 127 pp.

Cabioc’h, J., Floc’h, J.-Y., Le Toquin, A., Boudouresque, C.-F., Meinesz, A. & Verlaque, M. 1995. Guía de Las Algas del Atlantico y del Mediterráneo. Un estúdio de las algas de los mares de Europa. Ediciones Omega. 272 pp.

Gibson, R., Hextall, B. & Rogers, A. 2001. Photographic Guide to the Sea & Shore Life of Britain & North-west Europe, Oxford University Press, 436 pp.

Pereira, L. 2009. Guia Ilustrado das Macroalgas – Conhecer e reconhecer algumas espécies da flora portuguesa. Imprensa da Universidade de Coimbra, ISBN 978-989-26-0002-4, Coimbra. 90 pp.

Rodrigues, N.V., Maranhão, P., Oliveira, P. & Alberto, J. 2008. Guia de Espécies Submarinas, Portugal-Berlengas, Instituto Politécnico de Leiria, 231 pp.

Saldanha, L. 1997. Fauna Submarina Atlântica. 3ª ed. Publicações Europa-América. 364 pp.

A nível da Macaronésia, Laurobasidium lauri está presente nas ilhas da Madeira e das Canárias onde parasita o loureiro (Laurus novocanariensis). Também está devidamente documentada a ocorrência desta espécie de fungo na Corunha (Espanha), parasitando árvores de Laurus nobilis e em Portugal Continental (Minho, Beira Litoral e Estremadura) a parasitar a mesma espécie de árvore
 

 
Taxonomia
Reino: Plantae
Filo: Rhodophyta
Subfilo: Eurhodophytina
Classe: Florideophyceae
Ordem: Bonnemaisoniales
Família: Bonnemaisoniaceae
Género: Asparagopsis
Espécie: Asparagopsis armata Harvey
Autor desta ficha
Saiba mais em:
Mapa do Site | Sugestões | Condições de utilização | Privacidade | © 2021, Municipio do Funchal Facebook | RSS