28 Julho 2021
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Descoberto novo serotipo da febre da Dengue Versão para impressão Enviar por E-mail
Mosquito No decurso da 3ª Conferência Internacional da Dengue, que teve lugar em Bangkok, Tailândia no passado mês de outubro, cientistas da Universidade do Texas – Ramo de Medicina (UTMB) anunciaram a descoberta de um novo serotipo (DENV-5) da febre da Dengue.

 
Esta descoberta de um novo serotipo da febre da Dengue, o primeiro nos últimos 50 anos, foi feita aquando do estudo de um surto da doença que teve lugar no estado de Sarawak, no norte da Malásia. A sequenciação genética feita pelos cientistas mostrou um vírus filogeneticamente diferente dos anteriormente conhecidos e os anticorpos produzidos demonstraram ser significativamente diferentes dos produzidos pelos 4 anteriores serotipos da Dengue conhecidos.

Estes resultados foram apresentados pelo Prof. Nikos Vasilakis, líder da equipa da UTMB que estudou este vírus. O Prof. Vasilakis é virologista e estuda a evolução e a patogénese de vírus transmitidos por insectos, mosquitos, interação vírus-hospedeiro e desenvolvimento de vacinas.

De acordo com Dennis Normile no blog ScienceInsider, esta descoberta vem complicar os esforços de criação de uma vacina contra esta doença que se vem tornando uma ameaça global. Até à data não existe ainda uma vacina disponível para esta doença que causa febre e por vezes dores articulares e musculares intensas. Normalmente os doentes recuperam por eles próprios, embora casos mais graves requeiram tratamento médico. Ocasionalmente a doença evolui para uma forma hemorrágica, na qual os doentes sangram pelos vasos sanguíneos e pode conduzir à morte. Uma infeção por um dos serotipos da Dengue confere imunidade para esse serotipo. Uma subsequente infeção por outro serotipo aumenta muito o risco de desenvolvimento da dengue hemorrágica, por vezes fatal. Por essa razão a indústria farmacêutica aposta numa vacina eficaz para os 4 serotipos conhecidos. Esta descoberta vem introduzir um fator de complicação no processo. Refira-se a propósito que, segundo o Centro de Investigação das Doenças Infecciosas da Universidade do Minnesota (CIDRAP),  a Sanofi-Pasteur iniciou a produção experimental de uma vacina contra a Dengue, a primeira a nível mundial, que espera lançar no mercado em 2015.

Aparentemente este novo serotipo, com origem em macacos vivendo nas florestas do Sarawak (ciclo silvestre) apenas causou um surto humano, com alguns doentes a manifestarem formas graves da doença. Não deixa contudo de ser um potencial risco para a saúde pública, já que todos os outros serotipos terão eventualmente tido origem em primatas não humanos e passado para as populações humanas.

A febre da Dengue é uma doença viral cuja incidência tem-se alastrado dramaticamente nas últimas décadas, nas áreas tropicais e subtropicais da Terra. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, mais de 40% da população mundial está em risco de contrair a doença, que anualmente afeta mais de 1,5 milhões de pessoas.

O vírus da febre da Dengue é transmitido através da picada das fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e A. albopictus, o primeiro presente na Madeira há mais de 8 anos e identificado pela primeira vez pelos investigadores do Museu de História Natural do Funchal na freguesia de Santa Luzia, no Funchal. Em outubro de 2012 a Madeira conheceu o primeiro surto da doença, provocado pelo serotipo DENV-1. Este surto terminou em fevereiro de 2013 e desde aí não se registaram mais casos de Dengue autóctone até à data. Em janeiro de 2013 entrou um vigor o Plano Municipal de Combate ao Mosquito Vetor de Transmissão da Dengue cujos resultados do primeiro ano deverão ser apresentados publicamente no início de 2014.

 

(Foto de: Ricardo Araújo /DCI; Texto de: M. Biscoito /DCI)

 
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