3 Agosto 2021
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Sapo da Fundura Versão para impressão Enviar por E-mail

Fêmea de Centrophryne spinulosa colhida ao largo da Madeira em Julho de 2010 num aparelho de espada. (foto M. Biscoito)

Os sapos da fundura são peixes de águas profundas pertencentes à subordem dos Ceratioides em que, entre outras particularidades, os machos são muito diferentes das fêmeas e, em muitos casos, vivem a sua vida adulta agarrados ao corpo destas. Das cerca de 325 espécies conhecidas, escolhemos esta que recentemente foi colhida nas águas da Madeira.

 

Identificação


As fêmeas de Centrophryne spinulosa Regan & Trewavas, 1932 possuem o corpo globoso, a boca muito oblíqua, os olhos muito pequenos, uma depressão oval em frente do olho, as barbatanas dorsal e anal opostas e inseridas junto ao pedúnculo caudal, barbatana caudal grande, oval e com a membrana interradial transparente. O primeiro raio da barbatana dorsal (ilício) está inserido na nuca e possui um órgão luminoso na sua extremidade. A pele não possui escamas, mas está coberta de pequenos espinhos. A cor é completamente negra.

Fêmea de Centrophryne spinulosa (MMF 42243). (Desenho de Helena Encarnação)

Os machos, na sua fase “parasítica” são muito mais pequenos e com o corpo alongado. Na mesma possuem a pele negra, com pequenos espinhos.

Macho de Centrophryne spinulosa (MMF 42243) agarrado à fêmea. (Desenho de Helena Encarnação)

 

Distribuição

Centrophryne spinulosa encontra-se nos 3 grandes oceanos (Atlântico, Pacífico e Índico), entre os 40°N e os 30°S. É uma espécie batipelágica, isto é, vive permanentemente na coluna de água entre os 590 m e os 2325 m de profundidade. Apesar da sua ampla distribuição, é considerada uma espécie rara, não existindo mais do 50 exemplares colhidos a nível mundial. No oceano Atlântico nordeste esta espécie foi colhida apenas duas vezes.

    

Curiosidades


Como já foi referido, uma das curiosidades deste grupo de peixes é o facto dos machos serem muito diferentes das fêmeas e, em muitos casos, viverem agarrados ao corpo destas durante a sua vida adulta. Após a eclosão, os machos e as fêmeas são muito parecidos, distinguindo-se os machos pela ausência de ilício e pela configuração da boca e dentes. A dado momento ambos os sexos sofrem metamorfoses, tornam-se pigmentados e adquirem a forma dos adultos.

Desenvolvimento das fêmeas e dos machos nos peixes Ceratioides. (Desenho de E. Bertelsen (1951)

Em 5 das 11 famílias de ceratioides os machos agarram-se às fêmeas de forma permanente, havendo lugar inclusivamente à fusão de tecidos da boca do macho com os tecidos da fêmea, tornando-se assim inteiramente dependentes dela. É nesta altura que se designam popularmente como machos parasitas. Isto não é contudo correto, uma vez que não existe uma verdadeira relação de parasitismo. Ambos os indivíduos beneficiam um do outro. O macho depende da fêmea para a alimentação e esta não necessita de procurar um macho para se reproduzir, tarefa nem sempre fácil nas profundidades abissais.
No caso de Centrophryne spinulosa, até à captura de um espécime fêmea nas águas da Madeira em 2012, o maior capturado em todo o mundo, desconhecia-se a existência de machos parasitas nesta espécie. Este achado deu lugar à publicação de um artigo científico na revista “Copeia” da Sociedade Americana de Ictiologistas e Herpetologistas (Vieira et al., 2013).

Referências bibliográficas

Bertelsen, E. 1951. The ceratioid Fishes. Ontogeny, taxonomy, distribution and biology. Dana Report 39.

Bertelsen, E. 1983. First records of metamorphosed males of the families Diceratiidae and Centrophrynidae (Pisces: Ceratioidei). Steenstrupia 8:309–315.

Bertelsen, E., and J.-C. Quéro. 1981. Capture au large du Maroc de Centrophryne spinulosa Regan et Trewavas, 1932 (Pisces, Lophiiformes, Centrophrynidae), espece nouvelle pour l’Atlantique Nord-Est. Cybium (Ser. 3) 5:89–90.

Pietsch, T. W. 1972. A review of the monotypic deep-sea anglerfish family Centrophrynidae: Taxonomy, distribution and osteology. Copeia 1972:17–47.

Pietsch, T. W. 2005. Dimorphism, parasitism, and sex revisited: modes of reproduction among deep-sea ceratioid anglerfishes (Teleostei: Lophiiformes). Ichthyological Research 52:207–236.

Vieira, S., M. Biscoito, H. Encarnação, J. Delgado and T. W. Pietsch. 2013. Sexual Parasitism in the Deep-sea Ceratioid Anglerfish Centrophryne spinulosa Regan and Trewavas (Lophiiformes: Centrophrynidae). Copeia 2013 (in press).

Machos de Centrophryne spinulosa. A – larva; B – juvenil na fase livre. (Desenho de E. Bertelsen (1951).

A Alma Negra (em inglês Bulwer’s Petrel) é uma ave marinha de pequeno porte que se encontra com regularidade nos mares em volta das ilhas que compõem o arquipélago da Madeira. O seu nome advém do facto de ser uma ave pequena e ágil e toda negra
 

 

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actynopterygii
Ordem: Lophiiformes
Família: Centrophrynidae
Género: Centrophryne
Espécie: C. spinulosa Regan & Trewavas, 1932
Autor desta ficha
Manuel José da Conceição Biscoito Manuel José da Conceição Biscoito
Director do Departamento de Ciência e Conservador de Vertebrados do Museu de História Natural do Funchal
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