28 Julho 2021
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Espécies Marinhas Introduzidas na Madeira Versão para impressão Enviar por E-mail
 03 A invasão de ambientes marinhos por espécies não indígenas (NIS – non-indigenous species) ocorre a uma escala global e pode gerar consequências económicas, sociais, ecológicas e evolutivas.

 Um dos mecanismos de transferência (vetores) mais importantes para a redistribuição de espécies marinhas no globo é o transporte marítimo, principalmente através das águas de lastro assim como através da incrustação em cascos de navios. Este último mecanismo de introdução de espécies é conhecido por bio-incrustação ‘biofouling’ (em inglês) e facilita o transporte de um leque vasto de organismos marinhos pelos mares e oceanos: esponjas, cracas, mexilhões, briozoários, anémonas ou algas. Na realidade, todos os substratos artificiais no meio marinho (por exemplo cascos de navios, pontões, bóias, etc.) estão sujeitos a este fenómeno de bio-incrustação que não é mais do que a acumulação de micro e macro-organismos imóveis ao longo do tempo. Estas comunidades de bio-incrustação representam um sistema de estudo ideal para fazer experimentação em ecologia marinha devido ao seu fácil acesso e ao seu crescimento rápido.

Durante a última década foram compiladas listas de espécies exóticas para diversos países europeus, mas curiosamente a única lista dada para Portugal evidenciava apenas águas açorianas. Neste contexto, realizámos durante os últimos 6 anos uma monitorização exaustiva numa marina da ilha da Madeira - Marina da Quinta do Lorde (Figura 1) - de forma a contribuir para um primeiro inventário de espécies marinhas exóticas na Madeira. Em 2006, instalámos placas em PVC (Figura 2) nesta marina e todos os anos desde então examinámos a biodiversidade e abundância de espécies de bio-incrustação que colonizavam estas placas.

Durante os 6 anos do programa de monitorização da marina da Quinta do Lorde, registámos um total de 49 espécies das quais 16 foram classificadas como sendo espécies não-indígenas. Nove destas 16 espécies constituem novos registos para todo o arquipélago da Madeira. Briozoários e tunicados figuravam entre os grupos taxonómicos mais frequentes enquanto outros grupos como as esponjas e cracas estavam também presentes mas em menores número.

As 16 espécies exóticas registadas ao longo destes 6 anos de monitorização foram: as esponjas Mycale senegalensis e Paraleucilla magna (Figura 3); a anémona Aiptasia diaphana (Figura 4); os briozoários Bugula dentata, Bugula stolonifera, Parasmittina protecta, Schizoporella pungens, Scrupocellaria bertholetti, Watersipora subtorquata e Zoobotryon verticillatum (Figura 5); a craca Balanus trigonus; e os tunicados Botryllus schlosseri, Clavelina lepadiformis (Figura 6), Distaplia corolla (Figura 7), Microcosmus squamiger e Styela canopus.

Finalmente analisámos também o tráfego marítimo da marina da Quinta do Lorde desde o ano da sua inauguração e verificámos que existe uma relação significativa entre o número de embarcações que deu entrada ao longo dos últimos anos na marina com o número de espécies exóticas registadas na mesma marina (Figura 8). Aproximadamente 50% das embarcações de recreio que dão entrada na marina da Quinta do Lorde provêm do Porto Santo. Outros portos de origem incluem Portugal continental (6%), Canárias (6%), Mediterrâneo (5%) e norte da Europa (4%). Estes dados sugerem que provavelmente a maioria das espécies exóticas detectadas neste estudo serão introduções secundárias ou mesmo terciárias. Isto é, a Madeira está a receber agora espécies que foram já introduzidas noutros portos europeus.


Referência:
Canning-Clode J, Fofonoff P, McCann L, Carlton JT, Ruiz G (2013) Marine invasions on a subtropical island: Fouling studies and new records in a recent marina on Madeira Island (Eastern Atlantic Ocean). Aquatic Invasions 8: (in press).

 

Galeria de Fotos


(Fotos e Texto de: João Canning-Clode)

 
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