3 Agosto 2021
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O Bis-bis (Regulus madeirensis) é uma das três espécies de aves endémicas do arquipélago da Madeira, que pode ser encontrada nas ilhas da Madeira e Porto Santo.

 É uma espécie abundante na floresta Laurissilva e foi inicialmente descrita por E. V. Harcourt em 1851 no livro “Sketch of Madeira”. Embora seja uma espécie endémica com distribuição confinada às ilhas da Madeira e Porto Santo, não está sujeita a quaisquer ameaças significativas e apresenta uma tendência populacional positiva. Até 2005 considerou-se que no arquipélago da Madeira ocorria a subespécie Regulus ignicapillus madeirensis. No entanto verificaram-se diferenças morfológicas relativamente à espécie nominal: supercílio mais curto, coroa mais alaranjada, “ombros” com amarelo mais brilhante, pescoço mais acinzentado e bico mais comprido. Foram efetuados estudos genéticos, acústicos e morfométricos que confirmaram que a população existente no arquipélago da Madeira consiste num grupo afastado do congénere europeu, verificando-se entre estes dois taxa uma divergência genética na ordem de 11-12%. 

Identificação

É a espécie mais pequena da avifauna madeirense, com 9 cm de comprimento, 13-16 cm de envergadura e pesando em média 6g, o que, associado ao seu comportamento irrequieto, a torna facilmente identificável. Geralmente é observada em grupos (bandos) com 5 a 10 indivíduos. Ao contrário da congénere europeia, esta espécie não apresenta dimorfismo sexual ao nível da coloração da coroa, tendo uma cor intermédia entre o laranja nos machos e o amarelo nas fêmeas. Morfologicamente distingue-se facilmente por ter uma linha negra sobre os olhos com uma linha superciliar branca e coloração verde-azeitona na zona do pescoço. Tem também plumagem brilhante, esverdeada na zona superior e branca na zona inferior. O seu chamamento característico consiste numa nota aguda e curta, que repete muito alto. Os ninhos de Bis-bis são construídos pelas fêmeas em arbustos e têm uma forma cilíndrica.

 

 

Biologia e distribuição

O Bis-bis é uma ave insectívora, alimentando-se de vários tipos de artrópodes tais como aranhas e afídeos. O seu sistema de acasalamento é monogâmico e a época de nidificação decorre entre os meses de Abril e Julho, com a possibilidade de ocorrer duas posturas. Colocam entre 6 a 8 ovos, rosados com pintas vermelho-acastanhadas, cujo período de incubação é em média de 22 dias. Relativamente a cuidados parentais, é função exclusiva da fêmea de Bis-bis construir o ninho, chocar os ovos e aquecer as crias. Alimentar e cuidar das crias é já um trabalho efetuado pelo casal. Esta espécie pode ser encontrada nas ilhas da Madeira e Porto Santo, preferencialmente em zonas altas de urzal. Também pode ser observada em áreas de floresta indígena e exótica e, com menor frequência, em áreas rurais humanizadas com terrenos agrícolas. Na costa norte da ilha da Madeira pode ser encontrada a altitudes mais baixas. A presença e nidificação de Bis-bis no Porto Santo ocorre no Pico do Castelo, na Serra de Fora e no Pico da Gandaia.

 

Curiosidades e usos

Segundo os critérios de conservação da IUCN, esta é uma espécie considerada de “Baixo Risco” e, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal está classificada como “pouco preocupante”. No entanto, mesmo não estando ameaçada, o Bis-bis é uma espécie protegida por vários instrumentos legais: Parque Natural da Madeira (Reservas Parciais e Integrais), Rede Natura 2000 e Convenção de Berna (Anexo II).

 

 

 

Referências bibliográficas

BirdLife International 2012. Regulus madeirensis. In: IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 18 March 2013.

Biscoito, M. & Zino, F. (2002) Aves do Arquipélago da Madeira, Biodiversidade Madeirense: Avaliação e Conservação, Direção Regional do Ambiente (Ed.), pp. 59

Câmara, D. B. (1997) Guia de Campo das Aves do Parque Ecológico do Funchal e do Arquipélago da Madeira, Associação dos Amigos do Parque Ecológico, pp. 92-93

Fagundes, A.I., Nunes, J. & Ferreira, J. (2008) Atlas das Aves Nidificantes do Parque Ecológico do Funchal. Município do Funchal. Funchal, pp. 82-83

Faria, B. F., Madeira, A. M., Gonçalves, N. S., Jardim, R., Fernandes, F. M. & Carvalho, J. A. (2006) Fauna e Flora da Madeira – Espécies Endémicas Ameaçadas Vertebrados e Flora Vascular, Projecto Centinela INTERREG III B, Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, pp. 37

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Snow, D.W. & Perrins, C.M. (1998). The Birds of the Western Palearctic, Concise Edition, Volume 2 Passerines, Oxford University Press, pp. 1346-1348

A nível da Macaronésia, Laurobasidium lauri está presente nas ilhas da Madeira e das Canárias onde parasita o loureiro (Laurus novocanariensis). Também está devidamente documentada a ocorrência desta espécie de fungo na Corunha (Espanha), parasitando árvores de Laurus nobilis e em Portugal Continental (Minho, Beira Litoral e Estremadura) a parasitar a mesma espécie de árvore
 
Taxonomia
Reino: Animal
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Reguliidae
Género: Regulus
Espécie: Regulus madeirensis (Harcourt, 1851)
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