3 Agosto 2021
pt | en Contactos | Mapa do Site
Página Inicial » Espécie do Mês » Dragoeiro
Dragoeiro Versão para impressão Enviar por E-mail

Dragoeiro no Jardim de Plantas Aromáticas e Medicinais (Rua da Mouraria, 29)O dragoeiro deve o seu nome à cor da sua seiva que, em contato com o ar, oxida formando uma substância pastosa de cor vermelho vivo denominada, sangue-de-drago ou de dragão. Outrora uma árvore abundante e alvo de exploração por parte dos primeiros colonizadores, devido à grande procura de sangue-de-drago no século XV, o dragoeiro enfrenta hoje, outras ameaças que colocam em perigo a sua sobrevivência.

 

 

Frutos de dragoeiroMundialmente o género Dracaena conta com cerca de 60 espécies, na sua grande maioria, provenientes de África. Na Macaronésia, este género está representado pelas espécies Dracaena draco e Dracaena tamaranae. Da espécie Dracaena draco conhecem-se, até à data, 3 subespécies: D. draco subsp. draco (Madeira e Canárias), D. draco subsp. ajgal (Anti-Atlas, Marrocos) e D. draco subsp. caboverdeana (Cabo Verde). 

 

 

 

Identificação

Dragoeiro no Jardim do Campo da BarcaÁrvore pequena a média, até 20 m de altura, de caule simples, liso e de cor cinzento-esbranquiçada; ramificação dicotómica. Folhas grandes, estreitas e longas (até 60 cm de comprimento), verde-acinzentadas, com uma base larga, de cor alaranjada a acastanhada, com flores brancas, fragrantes, dispostas em grandes inflorescências terminais e ramificadas. As bagas são globosas, carnudas, amarelo-alaranjadas com 1-1,5 cm de diâmetro.

 

 

 

 

 

Distribuição

Segundo os últimos trabalhos publicados, a espécie Dracaena draco é nativa no arquipélago da Madeira (extinto no Porto Santo), Canárias (Tenerife, extinto na ilha de Gran Canaria) e Cabo Verde (Santo Antão, São Nicolau e Fogo, extinto nas ilhas de Santiago e São Vicente). A presença desta espécie como nativa no arquipélago dos Açores, assim como nas ilhas El Hierro, La Gomera e La Palma (no arquipélago canário) e na ilha Brava (em Cabo Verde) é discutível e não está devidamente documentada.
Na Madeira esta planta prefere viver nas escarpas rochosas e terrenos pedregosos e soalheiros do litoral sul da ilha.

 

Curiosidades e usos

Nos séculos XV e XVI extraía-se, por incisões no tronco, o sangue-de-drago que depois de solidificado era reduzido a pó e utilizado na tinturaria, na medicina tradicional, como verniz e antioxidante de vários materiais. O sangue-de-drago foi explorado em todas as ilhas da Macaronésia onde esta espécie vive naturalmente. No Porto Santo, Gaspar Fructuoso relata que os primeiros colonos fizeram, com os troncos das árvores milenares encontradas, barcos com capacidade para levar 6 a 7 homens para a pesca. O Ilhéu de Cima, no Porto Santo, outrora teve a denominação de Ilhéu dos Dragoeiros. Hoje este é conhecido por Ilhéu do Farol devido à instalação, em 1900, de um farol que presta excelentes serviços à navegação. A exploração exaustiva do dragoeiro, na ilha do Porto Santo, levou à sua extinção. Nas armas da cidade do Porto Santo figura um dragoeiro.
Na Madeira, a população de dragoeiros encontra-se atualmente em risco de extinção, conhecendo-se um local na ilha onde podemos observar esta árvore a crescer de forma natural.
O dragoeiro, pelo misticismo em redor da sua aparência, sempre atraiu a atenção do Homem e, particularmente nos séculos XV e XVI, esta árvore foi objeto das atenções de muitos artistas, principalmente flamengos e alemães, que o representaram em diversas obras, na sua grande maioria de cariz religioso.

Dragoeiro na Quinta das Cruzes      Núcleo de dragoeiro das Neves (São Gonçalo – Funchal)

 

 

Referências bibliográficas

Acebes Ginovés, J. R., M. C. León Arencibia, M. L. Rodríguez Navarro, M. del Arco Aguilar, A. García Gallo, P. L. Pérez de Paz, O. Rodríguez Delgado, V. E. Martín Osorio & W. Wildpret de la Torre. 2004. Spermatophyta. In: Lista de especies silvestres de Canarias. Hongos, plantas y animales terrestres. 2009. Arechavaleta, M., S. Rodríguez, N. Zurita, & A. García (coord.). Gobierno de Canarias. pp. 122-172.

Jardim, R. & Sequeira, M. M. (2008). As plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta) dos arquipélagos da Madeira e das Selvagens. In: Borges, P. A. V., Abreu, C., Aguiar, A. M. F., Carvalho, P., Jardim, R., Melo, I., Oliveira, P., Sérgio, C., Serrano, A. R. M. & Vieira, P. (eds.). Listagem dos fungos flora e fauna terrestre dos arquipélagos da Madeira e Selvagens. pp. 157-208, Direcção Regional do Ambiente da Madeira e Universidade dos Açores, Funchal e Angra do Heroísmo.

Lizardo, J. 1996. Algumas representações de dragoeiros na arte europeia na transição dos sécs. XV e XVI. Islenha. 19. pp: 44-52.

Marrero, A., R. S. Almeida & M. González-Martín. 1998. A new species of the wild dragon tree, Dracaena (Dracaenaceae) from Gran Canaria and its taxonomic and biogeographic implications. Botanical Journal of the Linnean Society. 128. pp: 291-314.

Marrero, A. & R. S. Almeida Pérez. 2012. A new subspecies, Dracaena draco (L.) L. subsp. caboverdeana Marrero Rodr. & R. Almeida (Dracaenaceae) from Cape Verde Islands. International Journal of Geobotanical Research. Vol. n.º 2. pp. 35-40.

Press, J. R. & M. J. Short. 1994. Flora of Madeira. London. The Natural History Museum. 574 pp.

Sánchez-Pinto, L., M. L. Rodríguez, S. Rodríguez, K. Martín, A. Cabrera & M. C. Marrero. 2005. Spermatophyta. In: Arechavaleta M., N. Zurita, M. C. Marrero & J. L. Martín (eds.). Lista preliminar de especies silvestres de Cabo Verde (hongos, plantas y animales terrestres). 2005. Consejería de Medio Ambiente y Ordenación Territorial, Gobierno de Canarias, pp: 40-57.

Silva, F. A.. 1934. Dicionário Corográfico do Arquipélago da Madeira. Edição do Autor. Funchal. 369 pp.

Silva, F. A. & Menezes, C. A. 1965. Elucidário Madeirense. 3ª edição. Funchal. Ed. Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. Vol. I – 413 pp.

Vieira, R. 1992. Flora da Madeira. O interesse das plantas endémicas macaronésicas. Colecção Natureza e Paisagem. 11. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza. 155 pp.

Walters, S. M.; Brady, A.; Brickell, C.D.; Cullen, J.; Green, P. S.; Lewis, J.; Matthews, V. A.; Webb, D. A.; Yeo, P. F. & Alexander, J. C. M. 1990. The European Garden Flora. Vol. I. Cambridge University Press. 430 pp.

A nível da Macaronésia, Laurobasidium lauri está presente nas ilhas da Madeira e das Canárias onde parasita o loureiro (Laurus novocanariensis). Também está devidamente documentada a ocorrência desta espécie de fungo na Corunha (Espanha), parasitando árvores de Laurus nobilis e em Portugal Continental (Minho, Beira Litoral e Estremadura) a parasitar a mesma espécie de árvore
 
Taxonomia
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Liliales
Família: Agavaceae
Género: Dracaena
Espécie: Dracaena draco (L.) L.
Subespécie: draco
Autor desta ficha
Juan José Gonçalves Silva Juan José Gonçalves Silva
Conservador de Botânica e Responsável pelo Herbário
Saiba mais em:
Mapa do Site | Sugestões | Condições de utilização | Privacidade | © 2021, Municipio do Funchal Facebook | RSS