3 Agosto 2021
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Morcego da Madeira Versão para impressão Enviar por E-mail

pipistrellus maderensisEsta espécie é nativa da Madeira, isto é, não foi introduzida pelo Homem. É endémica da Macaronésia e habita zonas urbanas, rurais e de floresta. Na ilha da Madeira, vive desde o nível do mar até os 1500 metros de altitude.
Durante o dia refugia-se em fissuras nas rochas, em troncos ocos de árvores velhas ou edifícios abandonados e sai dos seus abrigos no crepúsculo para caçar.
É exclusivamente insetívora e, na sua dieta alimentar constam borboletas noturnas, mosquitos, melgas, traças e pequenos escaravelhos. Tem preferência por zonas de iluminação pública pois a luz atrai muitos insetos.
É a espécie de morcego mais abundante na Madeira embora nos últimos anos sejam observados cada vez menos indivíduos desta espécie. Vários são os fatores que ameaçam este morcego, como por exemplo: a destruição dos abrigos devido à elevada pressão humana; a ingestão de insetos envenenados com pesticidas; a perturbação durante o período que hibernam e a sua perseguição devido a crenças infundadas. Além disso, sendo uma espécie com uma distribuição limitada a pequenas ilhas, está mais vulnerável a qualquer alteração do seu habitat. Devido à fragmentação e ao isolamento das suas populações e à visível tendência das mesmas sofrerem um declínio, está classificada com o estatuto Em Perigo pelo IUCN (International Union for the Conservation of Nature). Estima-se que a população na ilha da Madeira seja inferior a 1000 indivíduos estando dividida em duas subpopulações.

Identificação

Morfologia externa do morcegoÉ um morcego pequeno com cerca de 4 cm de comprimento e 18 a 24 cm de envergadura. Um adulto pesa cerca de 6 gramas. A pelagem é acastanhada, apresentando muito pouco contraste na coloração do dorso e ventre. O focinho, orelhas, membranas alar e caudal são de cor castanho bastante escuro. As orelhas são pequenas, com formato triangular e arredondadas nas pontas com 4 a 5 pregas transversais na extremidade externa. O tragus é estreito. Geralmente a fêmea é maior do que o macho e os juvenis são mais escuros do que os adultos. O voo é desajeitado, semelhante a uma borboleta, e efetua-se a baixa altura.

 

Distribuição

pipistrellus maderensis1Tem uma distribuição muito restrita. A sua presença está confirmada na ilha da Madeira, Porto Santo e em quatro ilhas de Canárias, nomeadamente Tenerife, La Gomera, La Palma e El Hierro. Não há confirmação da sua existência nas ilhas Desertas. Nas ilhas de Santa Maria, Corvo, Flores, Graciosa e São Jorge há o registo de captura de morcegos do género Pipistrellus. Em Santa Maria, Trujillo & González identificaram os exemplares que capturaram como sendo Pipistrellus maderensis no entanto, são necessários estudos mais aprofundados para confirmar se realmente se trata desta espécie.

 

 

pipistrellus maderensis34

Curiosidades

pipistrellus maderensis3A ordem Chiroptera compreende os morcegos, que são os únicos mamíferos com capacidade para voar. Chiroptera deriva do grego, kheir, mão, e pteron, asa.
Os morcegos têm o sentido da audição bastante desenvolvido. São capazes de se orientar no escuro através do sistema de ecolocalização e são os únicos mamíferos terrestres com tal capacidade. Este é um sistema de orientação baseado na transmissão de sinais acústicos de alta frequência (ultra-sons), que não são audíveis ao ouvido humano. Estes sons são emitidos através das narinas ou da boca, dependendo da espécie. O som emitido, ao encontrar um objeto, é refletido sobre a forma de eco no qual é recebido pelos ouvidos bastante apurados do morcego. Deste modo, ele calcula a distância e o tamanho do obstáculo. Com este processo o animal consegue orientar-se de noite e localizar potenciais presas.
Ao contrário do que se possa pensar, a maioria dos morcegos são espécies benéficas. O morcego da Madeira, como é uma espécie insetívora, controla eficazmente a população de insetos que são pragas agrícolas e outros que são incómodos para o ser humano, como os mosquitos.
Só para ter uma ideia da eficácia dos morcegos controlarem pragas, foi calculado nos Estados Unidos da América que um único morcego insetívoro pode ingerir 3000 insetos por noite.
As fezes deste animal também são um potente fertilizante natural pois, são ricas em nitrogénio.

pipistrellus maderensis4 pipistrellus maderensis6     pipistrellus maderensis7

 

Referências bibliográficas


Fajardo, S. & J. Benzal. 1999. Pipistrellus maderensis. 122-123 pp. in The Atlas of European Mammals. Mitchell-Jones, A. J., Amori, G.; Bogdanowcz, W.; Krystufek, B.; Reijnders, P. J. H., Spitzenberger, F., Stubbe, M.; Thissen, J. B. M., Vohohralik, V. & J. Zima (eds.). Academic Press, London.

Jesus, J.; Teixeira, S. ; Teixeira, D.; Freitas, T. & D. Russo. 2009. Vertebrados Terrestres Autóctones dos Arquipélagos da Madeira e Selvagens. Biodiversidade madeirense: avaliação e conservação. SRA/DRamb. 54-62pp.

Juste, J., Palmeirim, J. & Alcaldé, J.T. 2008. Pipistrellus maderensis. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2011.2. <www.iucnredlist.org>.

Nowak, R.M.. 1991. Walker’s Mammals of the World. The Johns Hopkins University Press, Baltimore and London.

Palmeirim, J. M.; Rodrigues, L.; Rainho A. & M. J. Ramos. 1999. Chiroptera – Rhinolophidae, Vespertilionidae, Miniopteridae, Molossidae. 41-95 pp in Mamíferos Terrestres de Portugal Continental, Açores e Madeira. ICN & CBA (eds.), Lisboa.

Rainho, A. I.; Alves, P. C. ; Barroso, I. et al. 2006. Pipistrellus maderensis, Morcego da Madeira. In: Cabral, M. J. Almeida, J. Almeida, P R. et al. (eds.) Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto de Conservação da Natureza, Assírio & Alvim, Lisboa. 457-458 pp.

SNPRCN. 1990. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Vol.1. Lisboa: Secretaria de Estado do Ambiente e Defesa do Consumidor.

Trujillo D. & González C. Não publicado. Primera cita de Pipistrellus maderensis (Dobson, 1878), (Chiroptera: Vespertilionidae) para las islas Azores.






 

Referências bibliográficas

 

-Wunderlich, J. 1991. Die Spinnen-Fauna der Makaronesischen Inseln. Taxonomie, Ökologie, Biogeographie und Evolution. Beiträge zur Araneologie. 1: 1-619.

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Vespertilionidae
Género: Pipistrellus
Espécie: P. maderensis (Dobson, 1878)
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