3 Agosto 2021
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Erva marinha Versão para impressão Enviar por E-mail

fig1Das cerca de 66 espécies de fanerogâmicas marinhas conhecidas, apenas se conhece uma na ilha da Madeira, a Cymodocea nodosa (Ucria) Ascherson, 1869. As fanerogâmicas marinhas ocorrem em zonas costeiras protegidas e de baixa profundidade, formando campos ou pradarias com extensão variável.

 

 

Fig. 1 – Cymodocea nodosa. Fotografia © Ricardo Araújo/ DCI-MMFAs pradarias de Cymodocea nodosa constituem um habitat de grande importância ecológica, pela capacidade de fixar o substrato e por sustentarem diversas espécies de peixes e invertebrados; por constituírem zonas de repouso noturno para diferentes espécies pelágicas, áreas de refúgio (principalmente os estados juvenis de alguns organismos marinhos que aí encontram alimento e proteção contra potenciais predadores), reprodução e criação; por representarem uma importante fonte de alimento (por herbivoria direta no caso dos ouriços, peixes, pequenos moluscos, tartarugas e alguns mamíferos marinhos); por promoverem a dissipação da energia das ondas e correntes marinhas prevenindo a erosão costeira; são importantes geradoras de biomassa e produtoras de oxigénio.
Na ilha da Madeira, a pradaria de Cymodocea nodosa existente na baía da cidade de Machico desapareceu devido às obras de ampliação do Aeroporto Internacional da Madeira que alterou a dinâmica dos sedimentos e, ao aporte excessivo de inertes transportados pelas ribeiras que ali desaguam. Durante o projeto Parqmar, constatou-se a presença de uma pradaria de Cymodocea nodosa na costa sul da ilha da Madeira, desta feita, no concelho do Funchal, numa zona incluída no Eco-Parque Marinho do Funchal. 

Identificação

Fig. 2 – Cymodocea nodosa. Fotografia © Ricardo Araújo/ DCI-MMFPlanta herbácea, perene; as raízes adventícias partem dos rizomas verticais que, por sua vez, se encontram ligados entre si por segmentos de rizomas horizontais (1-6 cm); as folhas surgem em grupos de 2 a 5, possuem nervação paralela, são longas (10-45 cm de comprimento) e não lineares (2-4 mm de largura), não apresentam estomas; as flores são nuas, crescem isoladamente e encontram-se protegidas pelas bainhas das folhas; as sementes apresentam flutuabilidade negativa, logo apresentam uma baixa dispersão.

 

Distribuição

Fig. 3 – Cymodocea nodosa. Fotografia © Ricardo Araújo/ DCI-MMFA Cymodocea nodosa encontra-se presente no Mediterrâneo, no sul da Península Ibérica (a costa portuguesa e baía de Cádis, constitui o limite norte da distribuição de C. nodosa), ao longo da costa Atlântica-Africana (cujo limite sul situa-se no Senegal) e arquipélagos da Madeira e das Canárias.

 

 

Curiosidades e usos

Fig. 4 – peixes. Fotografia © Ricardo Araújo/ DCI-MMFA pradaria de Cymodocea nodosa integrada na área do Eco-Parque Marinho do Funchal localiza-se entre os 11 e 16 m de profundidade, na Baía do Cais do Carvão. Da epiflora encontrada nesta pradaria destaque para a ocorrência de diatomáceas tipicamente bentónicas do género Isthmia e algas vermelhas do género Polysiphonia e Ceramium. Relativamente à epifauna, os principais taxa que podem ser observados nesta pradaria são hidrozoários coloniais, poliquetas (Errantia), anfípodes gamarídeos e anfípodes caprelídeos. A comunidade de macroinvertebrados observada na pradaria de Cymodocea nodosa resume-se à presença de cnidários antozoários, poliquetas tubulares sedentários e estrelas-do-mar (Astropecten aranciacus). Com relação à ictiofauna, esta resume-se às enguias-do-mar (Heteroconger longissimus), à presença de sapinhos (Sphoeroides marmoratus) e de cavalos-marinhos (Hippocampus hippocampus).
Atualmente o Museu de História Natural do Funchal está envolvido num projeto de investigação, cofinanciado pelo Programa de Cooperação Transnacional Açores-Madeira-Canárias (PCT MAC 2007-2013), denominado Gestão Sustentável dos Recursos Marinhos – GESMAR. Este projeto tem como objetivo principal a criação de uma estratégia comum nos arquipélagos Macaronésicos para uma gestão sustentável dos recursos marinhos. Neste sentido a participação do Museu no projeto é caracterizar, biologicamente, a pradaria de Cymodocea nodosa, existente na área proposta para a criação do Eco-Parque Marinho do Funchal.

Fig. 5 – Hippocampus hippocampus. Fotografia © Ricardo Araújo/ DCI-MMF       Fig. 6 – Estudo biológico de C. nodosa no âmbito do projeto GESMAR. Fotografia © Ricardo Araújo/ DCI-MMF

 

 

Referências bibliográficas

Espino, F., F. Tuya, I. Blanch & R. J. Haroun. 2008. Los sebadales en Canarias. Praderas de fanerógamas marinas. BIOGES, Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, 68 pp.

Larkum, A. W. D., Orth, R. J. & Duarte, C. M. (eds.). 2006. Seagrasses: Biology, Ecology and Conservation. Springer. 691 pp.

Vega García, E., & Martel, V. M. 2006. Franja Marina de Mogán, Sebadales de Playa del Inglés. LICs marinos del suroeste de Gran Canaria. Especies y hábitats de interés comunitário. Cabildo Insular de Gran Canaria. 107 pp.

A nível da Macaronésia, Laurobasidium lauri está presente nas ilhas da Madeira e das Canárias onde parasita o loureiro (Laurus novocanariensis). Também está devidamente documentada a ocorrência desta espécie de fungo na Corunha (Espanha), parasitando árvores de Laurus nobilis e em Portugal Continental (Minho, Beira Litoral e Estremadura) a parasitar a mesma espécie de árvore
 
Taxonomia
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Zosterales
Família: Cymodoceaceae
Género: Cymodocea
Espécie: C. nodosa (Ucria) Ascherson
Autor desta ficha
Juan José Gonçalves Silva Juan José Gonçalves Silva
Conservador de Botânica e Responsável pelo Herbário
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