3 Agosto 2021
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Gorgulho das Palmeiras Versão para impressão Enviar por E-mail

Foto 1: Gorgulho Rhynchophorus ferrugineusAtualmente este inseto é um dos que mais dano provoca nas palmeiras em todo o mundo.
Originário das regiões tropicais do Sudeste Asiático e Polinésia, começou a expandir-se há 25 anos atacando as palmeiras dos países do Sul da Ásia, Península Arábica e Irão. Em 1993 foi introduzido no norte de África através do Egipto (em 1992 atacando Phoenix dactylifera – Llácer e tal. 2009) e continuou a sua expansão pela Europa (Itália, França, Espanha (em 1995), Canárias (em 2006) e Portugal (na Madeira, o primeiro caso detetado foi em Outubro de 2008).

 

Identificação

Foto2: Gorgulho - machoO adulto apresenta uma cor vermelho-alaranjada, com a cabeça prolongada por um rostro em bico, o abdómen coberto por élitros com estrias longitudinais pretas e o tórax com um número variável de manchas pretas.
O comprimento varia entre 1,5 e 4,5 cm. Os machos apresentam uma “crista” de sedas ruivas sobre o extremo do rostro.

 

 Foto3: Gorgulho - fêmea

Curiosidades

Este coleóptero vive e alimenta-se no interior da palmeira podendo encontrar-se, simultaneamente, no tempo os 4 estádios (ovo, larva, pupa e adulto) de desenvolvimento do inseto (metamorfose completa) num total de cerca de 1000 indivíduos por palmeira.
Trata-se de um inseto com uma grande capacidade reprodutiva uma vez que precisa de 3 a 4 meses para completar o seu ciclo biológico (anualmente poderão desenvolver-se, no mínimo, 3 gerações de insetos). Llácer et al. (2009) referem que o ciclo completo do gorgulho-das-palmeiras, desde o ovo até à eclosão do adulto, leva em média cerca de 82 dias.
Apenas os adultos abandonam a palmeira e só o fazem quando esta não está em condições para acolher a próxima geração ou quando já não resta material vegetal no interior da palmeira para alimentar-se.
As fêmeas já saem fecundadas tornando-se em potenciais colonizadores de novas palmeiras.
A dispersão a grande distância efetua-se por meio do comércio e importação de material vegetal contaminado. No entanto, o inseto possui uma capacidade potencial de voo que varia entre os 3 a 5 Km.
O Ciclo biológico do gorgulho Rhynchophorus ferrugineus (Olivier, 1790) divide-se nas seguintes fases (ver fotos seguintes - 4, 5, 6, 7, 8 e 9):

Foto 4: Larva de gorgulhoFoto 5: Larva de gorgulho no interior do casuloFoto 6: Pupa de gorgulhoFoto 7: Casulos de gorgulhoFoto 8: Adulto de gorgulho pronto a eclodirFoto 9: Gorgulhos adultos



Ovo – amarelo claro, brilhante, com forma ovalada e mede 1 a 2,5 mm. São colocados no interior de fendas ou feridas, isoladamente ou em conjunto mas sem entrar em contacto uns com os outros. Os ovos são fixos e protegidos por uma secreção. Uma fêmea pode colocar 300 a 400 ovos, em média. Esta fase tem uma duração de 2 a 4 dias.
Larva – esta fase necessita de 1 a 3 meses para completar-se e é fortemente influenciada pela temperatura. Durante este período, a larva alimenta-se do tecido vegetal interno da palmeira deixando atrás de si um rasto de galerias que podem atingir até 1 metro de comprimento. Esta é a fase que mais dano provoca na palmeira por localizar-se no tecido meristemático (de crescimento) desta.
Pupa – no final do período larval, a larva constrói um casulo junto à base das folhas (4 a 6 cm de comprimento) utilizando as fibras do interior da palmeira. Esta fase dura 15 a 30 dias. Acabada a metamorfose, o adulto ainda permanece no interior do casulo por mais 10 dias.
Adulto – pode viver de 45 a 90 dias. São diurnos e preferem caminhar, embora possam voar, à procura de uma nova palmeira para infetar.

Trata-se de um inseto parasita de vários géneros de palmeiras (família PALMAE ou ARECACEAE) mas parece ter grande preferência pela Palmeira das Canárias, segue-se a Palmeira-tamareira e a Palmeira-de-leque.
A copa começa por ficar assimétrica, com folhas descaídas e, por vezes, roídas. Os sintomas vão se agravando até à destruição total da árvore (ver fotos seguintes - 10 e 11).

Foto 10: Palmeira das Canárias com copa assimétricaFoto 11: Palmeira das Canárias completamente destruída pela ação do gorgulho

 

Referências bibliográficas



- Econex Sanidade Agricola. Para la detección, seguimiento y capturas massivas del picudo rojo de la palmera com trampas, feromonas y kairomonas. Sistema Rhynchonex.


- Gobierno de Canarias. El Picudo Rojo, Rhynchophorus ferrugineus (Olivier, 1790). Dossier informativo.




 




Referências bibliográficas

 

-Wunderlich, J. 1991. Die Spinnen-Fauna der Makaronesischen Inseln. Taxonomie, Ökologie, Biogeographie und Evolution. Beiträge zur Araneologie. 1: 1-619.

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Coleoptera
Família: Curculionidae
Género: Rhynchophorus
Espécie: R. ferrugineus (Olivier, 1790)
Autor desta ficha
Ysabel Margarita Amaro Gonçalves Ysabel Margarita Amaro Gonçalves
Conservadora de Entomologia do Museu de História Natural do Funchal
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