3 Agosto 2021
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Búzio de marcar roupa Versão para impressão Enviar por E-mail

Stramonita haemastoma

Espécie comum, vivendo junto à costa desde 1 a 10 metros de profundidade. Habita preferencialmente o andar mediolitoral inferior e infralitoral. Vive sobre substrato rochoso com algas, especialmente em zonas com algas rasteiras. É um predador e alimenta-se de moluscos, cracas, posturas de opistobrânquios e outros invertebrados sésseis. Como muitas das suas presas têm concha dura, ele aplica uma secreção ácida que é capaz de perfurar a concha com a ajuda dos dentes da rádula. Coloca a sua postura usualmente em fendas ou buracos. Os seus ovos são característicos: estão guardados em cápsulas rectangulares com forma hexagonal de cor esbranquiçada a amarelada. As larvas têm vida pelágica.
O seu nome específico haemastoma deriva do grego que significa haem, sangue e stoma, boca, fazendo alusão à cor laranja a avermelhada da abertura da sua concha.

 

 

Identificação

Stramonita haemastomaConcha ornada de tubérculos dispostos em fila, uma nas primeiras voltas e quatro na última. A concha pode chegar a ter 8 cm de altura mas usualmente encontram-se indivíduos com cerca de 5 cm de altura da concha. A concha é muito sólida, tem uma abertura grande, ovalada, com canal sifonal curto e o lábio externo estriado. O labro tem pequenos dentes com manchas castanhas entre eles. A cor da concha é acinzentada a pardacenta no entanto esta característica pode ser mascarada pelos diversos organismos epibiontes que se fixam à concha especialmente nos animais mais velhos. A abertura é de cor alaranjada ou vermelha intensas com estrias mais escuras. O opérculo é de consistência córnea.

 

 

Distribuição

Postura de stramonitaEste búzio tem uma distribuição ampla no Oceano Atlântico. Ocorre no centro do Atlântico Ocidental no Mar das Caraíbas, Golfo do México, Carolina do Norte, Florida e toda a costa brasileira. Também é encontrado no Atlântico Oriental nas ilhas da Macaronésia, Cabo Verde até Angola, de Portugal até às Ilhas do Canal e no Mar Mediterrâneo.

 

 

 

 

Curiosidades

Tecido tingido de prpura

Na Madeira esta espécie é consumida como marisco, mas não é tão comum nem tão apreciada como a lapa.
Produz um muco segregado pela glândula hipocondrial que, quando fresco é incolor mas oxidado torna-se púrpura daí ter sido utilizado desde a Antiguidade para obter o pigmento púrpura. Outras espécies da família Muricidae também têm o muco com estas propriedades como por exemplo do género Murex.
O fluido foi utilizado para tingir tecidos mas, pela dificuldade na sua obtenção (eram necessários muitos indivíduos para ter tinta suficiente), foi um dos pigmentos naturais mais importantes e mais caros da Antiguidade sendo símbolo de riqueza, poder e distinção. Como exemplo, na Roma antiga só o imperador tinha direito a usar as vestes tingidas por esta substância.
O processo de tingimento era relativamente simples: os tecidos eram banhados no fluido do molusco e expostos ao Sol. Só depois da tinta natural secar, os tecidos tornavam-se de cor púrpura.
Na Madeira também se conhecem desde tempos antigos as propriedades tintureiras do muco deste búzio e era usado para marcar roupa branca, daí ser designado “Búzio de marcar roupa”. A secreção é mal cheirosa, caústica e muito amarga, daí o nome “fel de búzio” empregado pelo povo madeirense. Esta secreção mucosa pode ser aplicada no tratamento de impigens.
Estudos farmacológicos apontam que o muco tem propriedades vasodilatadoras e hipotensivas.

 

Referências bibliográficas


Albuquerque, M.; Borges, J. P. & G. Calado. 2009. Moluscos Marinhos- Atlas das Ilhas Selvagens. Direcção Regional do Ambiente. Funchal, Portugal. 179pp.


Espino, F.; Boyra, A.; Tuya, F. & R. Haroun. 2007. Guía Visual de Especies Marinas de Canarias. Oceanográfica. 2ªed.. 273pp.


Huang, C. L. & Mir G. N.. 2002. Pharmacological investigation of salivary gland of Thais haemastoma (clench). Toxicon, 10: 111-117pp.


Leal, J. H. (2002). Gastropods. in Carpenter, K. E.. The living marine resources of the Western Central Atlantic. FAO Species Identification Guide for Fishery Purposes and American Society of Ichthyologists and Herpetologists Special Publication No. 5. 1: Introduction, molluscs, crustaceans, hagfishes, sharks, batoid fishes, and chimaeras. Rome: FAO. 128–132pp.


Pereira, E. C. N.. 1989. Ilhas de Zargo. Vol. II, 4ª ed. Funchal. 93pp.


Wirtz, P. & H. Debelius. 2003. Mediterranean and Atlantic Invertebrate Guide. ConchBooks. 182pp.


Wirtz, P. . 1995. Unterwasserführer Madeira, Kanaren, Azoren. Delius Klasing. 142-143pp.






Referências bibliográficas

 

-Wunderlich, J. 1991. Die Spinnen-Fauna der Makaronesischen Inseln. Taxonomie, Ökologie, Biogeographie und Evolution. Beiträge zur Araneologie. 1: 1-619.

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Caenogastropoda
Família: Muricidae
Género: Stramonita
Espécie: S. haemastoma (Linnaeus, 1767)
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