28 Julho 2021
pt | en Contactos | Mapa do Site
Página Inicial » Espécie do Mês » Camarão Listado
Camarão Listado Versão para impressão Enviar por E-mail

Este camarão relativamente comum na nossa costa, vive geralmente em grutas ou fendas de fundos rochosos entre os 5 e os 50 m de profundidade e é costume encontrar-se associada a anémonas, mais concretamente com a Anémona gigante (Telmatactis cricoides Duch., 1850), ainda que a sua relação com estas não se encontre suficientemente conhecida.

Apresenta um rostro desenvolvido, armado de dentes, quer no bordo inferior quer no bordo superior. O último dente do bordo superior encontra-se bastante afastado dos outros dentes. As patas do primeiro par são mais pequenas que as do segundo par e têm pinças mais robustas. Este camarão pode atingir os 7 cm de comprimento. Tal como todos os artrópodes este camarão possui um exoesqueleto, apêndices articulados e corpo segmentado. Para crescer ele precisa de abandonar o esqueleto velho, pequeno, e fabricar outro, maior. Fenómeno chamado vulgarmente de muda (tecnicamente ecdisis) e ocorre diversas vezes até cessar o crescimento na fase adulta.

 

 

 

Identificação


Existem vários factores que caracterizam esta espécie, no entanto o seu padrão de cores é um dos factores que ajuda na sua identificação. Apresenta sempre uma coloração muito atractiva: lateralmente é amarelo, a parte superior é vermelha apresentando uma banda branca que percorre longitudinalmente a superfície dorsal, prolongando-se até ao rostro e antenas.

 

 

 

 

Distribuição


No Atlântico oriental está assinalado para as Canárias, Madeira e Ascensão. No Atlântico ocidental distribui-se desde as Bermudas até ao Norte da América do Sul.

 

 

 

 

 

Alimentação

Esta espécie apresenta um comportamento característico, pois com a ajuda das suas patas compridas alimenta-se de parasitas que retira da boca e das escamas de determinadas espécies de peixes, ajuda-os na sua desparasitação. Os peixes que utilizam mais frequentemente esta “limpeza” são as raias, as moreias, os salmonetes, os meros e até mesmo as castanhetas.

 

 

 

Curiosidades


Foi em 1935 que Isabella Gordon, do Departamento de Zoologia do “British Museum (Natural History)”, que descreveu pela primeira vez para a ciência esta espécie de camarão e utilizou um exemplar fêmea (holótipo) capturado no Funchal. Esta espécie tem tido interesse comercial para a aquariofilia, devido à sua atractividade e facilidade de adaptação à vida em aquário, tendo sido recentemente desenvolvida as técnicas necessárias para a sua reprodução e crescimento das larvas em cativeiro. O conhecimento destas técnicas, permitem evitar a apanha de indivíduos desta espécie no seu meio natural, protegendo-os de eventuais ameaças, tal como a captura excessiva para fins ornamentais.

 

 

 

Referências bibliográficas


Araújo, R. & Calado, R., 2003. Crustáceos Decápodes do arquipélago da Madeira. Biodiversidade Madeirense: Avaliação e Conservação. Direcção Regional do Ambiente da RAM Nº 4 236 pp.

González Pérez, J. A., 1995. Catálogo dos Crustáceos Decápodos de las Ilhas Canarias. Gambas. Lagostas. Cangrejos. Publicationes Turquesa S.L., Santa

Gordon, I., 1935. On new or inmperfectly known species of Crustacea Macrura. Journal of the Linnean Society of London, Zoology. 39: 307-351.

Udekem d´Acoz, C. d’, 1999. Inventaire et distribution des crustacés décapodes de l’Atlantique nord-oriental, de la Méditerranée et des eux continentales adjacentes au nord de 25ºN. Patrimoines naturels (M.N.H.N./S.P.N.), 40 : 383 p.


 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Subfilo: Crustacea
Classe: Malacostraca
Ordem: Decapoda
Família: Hyppolytidae
Género: Lysmata
Espécie: L. grabhami (Gordon, 1935)
Autor desta ficha
Rui Ricardo Pereira Araújo Correia Rui Ricardo Pereira Araújo Correia
Biólogo marinho e director do Museu de História Natural do Funchal
Saiba mais em:
Mapa do Site | Sugestões | Condições de utilização | Privacidade | © 2021, Municipio do Funchal Facebook | RSS