3 Agosto 2021
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Polvo comum Versão para impressão Enviar por E-mail

O polvo-comum é a espécie de polvo melhor conhecida, pelo seu interesse biológico e comercial. A sua capacidade para se confundir com o substrato onde se encontra, variando a cor e a textura da sua pele, torna-o um verdadeiro mestre do disfarce. 

Identificação



Apresenta uma cabeça bem distinta do corpo com os seus oito braços cerca de quatro a cinco vezes maiores que o corpo, sendo o par dorsal um pouco mais curto que os restantes. Cada um dos braços apresenta duas fiadas de ventosas na parte interna (160 a 180). Atrás da cabeça, directamente oposto aos tentáculos, está o manto. O manto é uma estrutura altamente musculosa que abriga todos os outros órgãos do animal. Possui um par de brânquias com 7 a 11 lamelas branquiais externas, 3 corações, sistema digestivo e glândulas reprodutivas, todos comprimidos dentro desse espaço. Os fortes músculos do manto protegem os órgãos e ajudam na respiração e contracção. O polvo possui também um sifão, abertura tubular que serve de passagem à água. Geralmente a coloração do polvo-comum apresenta um padrão mosqueado ou reticulado.

 

 



Biologia e alimentação

São animais de médio e grande porte, podendo os indivíduos desta espécie atingir 1,5 m de comprimento e um e um peso total igual ou superior a 10 Kg.
Os indivíduos da espécie Octopus vulgaris são indivíduos solitários (exceptuando durante a corte nupcial), e estão adaptados a viver em habitats muito diversos, ocupando desde recifes de coral e zonas rochosas até fundos arenosos ou vasosos. Os polvos podem aproveitar pequenas fendas e buracos existentes nas rochas para se protegerem ou esconderem de possíveis predadores. No entanto, sabe-se que eles vivem habitualmente em abrigos, que podem ser desde formações naturais de substrato, a colecções de pedras e conchas, ou até mesmo em “lixo” proveniente da actividade do homem, como peças de cerâmica, canecas ou vasilhas, pneus, etc.

Os cefalópodes nadam por meio da expulsão forçada de água da cavidade do manto, através de um sifão (funil ventral), num mecanismo semelhante à propulsão a jacto, sendo a velocidade controlada pela força com que a água é expelida. Os polvos nadam para trás, mas estão melhor adaptados para se movimentarem por cima das rochas, usando os discos de sucção dos seus braços para se deslocarem ou se fixarem. Quando ameaçados, os polvos por vezes lançam para a água uma tinta negra (ferrado), segregada numa glândula, fazendo com que possam escapar sem serem vistos pelo predador.
Reprodução: nos polvos os sexos são separados e os machos distinguem-se das fêmeas, internamente pela diferente constituição dos seus órgãos sexuais, e externamente por possuírem um braço transformado em hectocótilo, estrutura que possibilita o acto sexual.
A reprodução é o processo que determina o fim do ciclo de vida do polvo, especialmente nas fêmeas, que morrem depois de efectuarem a postura e cuidarem dela. Os machos atingem a senilidade depois do período de cópula, que pode durar cerca de 40 dias.
O polvo-comum põe mais de 500 000 ovos em locais abrigados. Buracos nas rochas ou objectos artificiais como pneus e alcatruzes são alguns dos pontos preferencialmente escolhidos. Na falta de refúgio, escavam buracos que consolidam com conchas de bivalves.

Alimentação: tal como a maior parte dos cefalópodes, o polvo é uma espécie carnívora durante todo o seu ciclo de vida. Alimenta-se de uma grande variedade de presas, embora a sua preferência recaia nos crustáceos (especialmente caranguejos), seguindo-se os moluscos e por fim os peixes.
A captura de presas móveis, como é o caso dos caranguejos, é feita através de um ataque frontal rápido, em que o polvo salta sobre a sua presa com os braços e membrana interbraçal estendidos, formando como que um pára-quedas, que envolve a presa. Esta é então levada até à boca, que possui uma estrutura córnea que lembra o bico de um papagaio, onde a saliva é injectada. A saliva contém uma toxina, a cefalotoxina, que paralisa a presa e que, simultaneamente, actua de forma altamente específica sobre os ligamentos músculo-esqueleto do caranguejo, fazendo com que os tecidos se desprendam do exosqueleto. A maioria do músculo mole da presa é ingerido, sem que se dê a ingestão da maior parte das estruturas duras dos crustáceos.

Distribuição

O polvo é uma espécie com uma vasta distribuição mundial, ocorrendo nas águas tropicais, subtropicais e temperadas, sendo muito comum na Península Ibérica, Mediterrâneo, Atlântico oriental e águas japonesas. Octopus vulgaris é a espécie de polvo mais comum na costa portuguesa e existe praticamente ao longo de toda a sua extensão, desde a zona intertidal (zonas rochosas) até profundidades superiores a 150 m

Curiosidades e usos

O polvo comum vive apenas entre 12 a 18 meses. Tem elevado valor nutricional devendo-se a vários factores como o seu valor energético (60 kcal / 254,5 kJ), a sua constituição em aminoácidos, dos quais os mais importantes são o ácido aspártico, o ácido glutâmico, a arginina e a leucina, o seu baixo teor em gordura (cerca de 60% é gordura polinsaturada), o seu teor de colesterol (aproximadamente 60 mg/100g), Vitamina A (1,8 μg/100g) e E (0,7 μg/100g). É também uma boa fonte de potássio e fósforo.
O polvo é considerado o mais inteligente dos invertebrados e tem sido utilizado em muitas experiências para testar as suas capacidades de aprendizagem e memorização. No aquário o polvo por vezes abandona o seu tanque em busca de comida nos tanques adjacentes e foram reportados casos de polvos que subiram a bordo de embarcações de pesca para “roubarem” caranguejos.

 

 

Nos últimos anos, o polvo-comum atingiu um patamar de elevado interesse a nível internacional, pela sua utilização na dieta dos povos, facto que aumentou grandemente a sua importância económica, e que se revela pelo incremento do volume de capturas e correspondente valor, chegando mesmo a atingir, em 1993, o terceiro lugar em valor comercial, e o quarto lugar em termos de volume desembarcado. Portugal acompanha também estes índices, sendo um dos recursos marinhos mais importantes pelos mesmos motivos.
O facto de existir uma grande variedade de produtos com valor acrescentado derivados de cefalópodes – como são os casos dos produtos refrigerados, congelados, secos, enlatados e as refeições preparadas – também sustenta este elevado interesse comercial.

Um polvo-comum, chamado Paul, foi uma das sensações do Campeonato do Mundo de Futebol (FIFA) de 2010 ao fazer "previsões" correctas dos resultados dos jogos do campeonato mundial, em especial dos jogos da Selecção Alemã.


Gastronomia

O polvo é um petisco muito apreciado sendo utilizado fresco, refrigerado, congelado, seco e enlatado. Segue uma receita se alguma vez quiser experimentar.


Polvo à Lagareiro                  
 
Ingredientes:
·    1,5 kg de polvo
·    1 cebola
·    2 folhas de louro
·    6 dentes de alho
·    1/2 pimento vermelho
·    1/2 pimento amarelo
·    1/2 pimento verde
·    1 kg de batatas
·    1 ramo de salsa
·    1 colher (chá) de vinagre
·    sal
·    pimenta preta em grão     

Preparação:
Coza o polvo na panela de pressão com uma cebola inteira, uma folha de louro, sal e pimenta, durante 30 minutos. Depois de cozido retire-o da panela e ponha-o numa travessa de barro.
Descasque os alhos, corte os pimentos em tiras largas, junte as batatas com a pele e os restantes ingredientes na travessa. Polvilhe com salsa, regue com o azeite e leve ao forno a 200º C durante 40 minutos. Salpique com o vinagre.

N.B. Se quiser tornar este prato mais suculento coloque em volta do polvo, 150g de bacon, cortado em cubos e um cravinho, antes de ir ao forno.

 

Bibliografia



Cunha, M. M. & Moreno, A. (1994). Octopus vulgaris: its potential on the Portuguese coast. ICES C.M, 1994/k, 33, 19 pp.

Norman, M. (2000). Cephalopods: A World Guide. ConchBooks, 320pp.

P. Jereb & C.F.E. Roper, eds. (2005). Cephalopods of the world. An annotated and illustrated catalogue of species known to date. Volume 1. Chambered nautiluses and sepioids (Nautilidae, Sepiidae, Sepiolidae, Sepiadariidae, Idiosepiidae and Spirulidae). FAO Species Catalogue for Fishery Purposes No. 4, Vol. 1. FAO, Rome. pp. 57–152.


São animais de médio e grande porte, podendo os indivíduos desta espécie atingir 1,5 m de comprimento e um e um peso total igual ou superior a 10 Kg
 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Subfilo: Vertebrata
Classe: Cephalopoda
Ordem: Octopoda
Família: Octopodidae
Género: Octopus
Espécie: O. vulgaris Cuvier, 1797
Autor desta ficha
Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo
Directora da Estação de Biologia Marinha do Funchal
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