3 Agosto 2021
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Mosquito A. aegypti

Várias doenças que afligem os seres humanos são provocadas por agentes patogénicos transmitidos por vectores, como sejam os mosquitos e outros organismos. Aedes aegypti é o vector transmissor da Dengue e da Febre-amarela, ocorrendo maioritariamente nas regiões tropicais do globo. Nos diversos trabalhos sobre vectores e doenças tropicais efectuados no passado, evocava-se a possibilidade da área de distribuição de Aedes aegypti alargar para Norte, o que se tem vindo a verificar, como atesta o seu aparecimento na Madeira em 2005. As características climáticas da Madeira associadas ao grande movimento de entrada e saída de pessoas e bens tornam esta Ilha muito vulnerável a novas introduções de espécies tropicais e subtropicais.

 

 

Identificação

Mosquito A. aegyptiDe dimensão inferior à dos mosquitos comuns, o mosquito Aedes aegypti apresenta um corpo escuro com riscas branco-prateadas no tórax (cujo desenho faz lembrar uma lira), na cabeça, abdómen e nas pernas. O macho distingue-se da fêmea por possuir antenas mais plumosas e palpos mais longos. 

 

 

 

Biologia e distribuição

Um dos tipos de criadouros preferenciais do mosquito A. aegyptiDesenvolve-se por metamorfose completa, sendo o seu ciclo de vida constituído por 2 fases: aquática – que inclui os estádios de ovo, larva e pupa; terrestre – que corresponde ao insecto adulto. A duração do ciclo de vida desde a oviposição até à fase adulta é de aproximadamente 10 dias. A oviposição, principal ponto de ligação entre as fases aquática e terrestre, ocorre durante o dia. Os ovos são depositados individualmente, nas paredes internas de recipientes que contenham água – criadouros. De entre os mais variados tipos de criadouros encontram-se latas, embalagens plásticas, pratos de vasos de plantas, pneus, etc. 

No momento da postura, os ovos, com cerca de 1 mm de comprimento, apresentam uma coloração esbranquiçada mas, após duas horas escurecem tornando-se negros e brilhantes. Os ovos apresentam resistência a longos períodos de dissecação que podem ir de meses até um ano. Mosquito A. aegypti (escala à esquerda em mm)Logo que estes ovos entram em contacto com a água as larvas eclodem após alguns minutos de submersão. As larvas movimentam-se em forma de serpente, desenhando um “S” e passam a maior parte do seu tempo alimentando-se de detritos orgânicos animais ou vegetais, bactérias, fungos e protozoários existentes na água. O facto de não serem selectivas quanto à alimentação, isso facilita o combate deste insecto pelo uso de larvicidas por via oral. As larvas não sobrevivem a temperaturas inferiores a 10ºC. Na fase de pupa (em que insecto parece assumir a forma de uma vírgula), estas não se alimentam e passam a maior parte do tempo em relativa tranquilidade, permanecendo praticamente imóveis, respirando à superfície da água.

Os insectos adultos, na natureza, vivem em média 30 a 35 dias sendo as fêmeas mais longevas que os machos. Aedes aegypti está perfeitamente adaptado ao meio urbano vivendo dentro ou, muito próximo, das habitações. A sua abundância depende da temperatura, pluviosidade e presença de criadouros.

Registos confirmados do mosquito A. aegypti no Funchal obtidos através das armadilhas do Museu de História Natural do Funchal (círculos: 2006; estrelas: 2007 e triângulos: 2008)
Esta espécie aparece em toda a faixa tropical e subtropical distribuindo-se entre os paralelos 45º de latitude Norte e 35º de latitude Sul. Na Madeira, este mosquito, já se encontra instalado no Funchal, em Santa Cruz e Câmara de Lobos.

 

 

Curiosidades

Armadilha de ovoposição implementada na Madeira pelo Museu de História Natural do Funchal

Machos e fêmeas alimentam-se de néctar de fluidos açucarados de qualquer fonte, mas a fêmea necessita de sangue para o amadurecimento dos ovos. Preferem o sangue humano ao de qualquer outro animal vertebrado. Normalmente, a fêmea faz uma postura após cada refeição sanguínea. Em média, uma fêmea de Aedes aegypti produz cerca de 120 ovos. Em geral, escolhem a zona dos pés e dos tornozelos para picar. Picam durante todo o dia mas, preferencialmente, de manhã e ao entardecer. O ruído produzido pelas asas translúcidas é praticamente inaudível ao ser humano. Para além disso, a saliva deste insecto possui uma substância anestesiante, que torna a picada quase indolor e imperceptível pois a vítima apenas se apercebe desta, pela reacção e marca deixadas associadas a um incomodativo prurido.

Próprio das regiões tropicais e subtropicais, não resiste a baixas temperaturas nem a altitudes elevadas.

A capacidade deste insecto como vector transmissor da dengue e da febre-amarela confere-lhe um papel epidemiológico muito importante e preocupante. Assim, o Departamento de Ciência da Câmara Municipal do Funchal através da equipa do Museu de História Natural do Funchal encontra-se envolvido num projecto de investigação denominado: Localização de armadilhas de ovoposição do Museu de História Natural do Funchal fora do concelho do FunchalGestão Integrada do Vector Aedes aegypti – MOSQIMAC (PCT-MAC/2/M063). Com este projecto pretende-se realizar a prevenção, vigilância e controlo do vector Aedes aegypti, actuando a nível da dimensão entomológica, da vigilância epidemiológica e laboratorial, da intervenção ambiental e da informação e educação para a saúde. Este projecto, co-financiado pelo FEDER através do programa PCT-MAC, envolve para além do Museu, o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da RAM, o Laboratório de Qualidade Agrícola da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais e a Universidade de La Laguna de Canárias.

 

Referências bibliográficas



Ysabel Margarita, A. J. dos Santos Grácio, Isabel Lencastre, Ana C. Silva, Teresa Novo, Carla Sousa, Paulo Almeida e M. J. Biscoito. 2006. Mosquitos de Portugal: primeiro registo de Aedes (Stegomyia) aegypti Linnaeus, 1762 (Diptera, Culicidae) na Ilha da Madeira. Acta Parasitológica Portuguesa 13 (1-2): 59-61.

Almeida A.P., Gonçalves Y.M., Novo M.T., Sousa C.A., Melim M., Grácio A.J.. 2007. Vector monitoring of Aedes aegypti in the Autonomous Region of Madeira, Portugal. Euro Surveill 12 (46): 3311.

Gonçalves, Y.; Juan Silva & Manuel Biscoito. 2008. On the presence of Aedes (Stegomyia) aegypti Linnaeus, 1762 (Insecta, Diptera, Culicidae) in the island of Madeira (Portugal). Boletim do Museu Municipal do Funchal 58 (322): 53-59.




 




Referências bibliográficas

 

-Wunderlich, J. 1991. Die Spinnen-Fauna der Makaronesischen Inseln. Taxonomie, Ökologie, Biogeographie und Evolution. Beiträge zur Araneologie. 1: 1-619.

 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Diptera
Família: Culicidae
Género: Aedes
Espécie: A. aegypti (Linnaeus, 1762)
Autor desta ficha
Ysabel Margarita Amaro Gonçalves Ysabel Margarita Amaro Gonçalves
Conservadora de Entomologia do Museu de História Natural do Funchal
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