3 Agosto 2021
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Caranguejo Judeu ou cabra Versão para impressão Enviar por E-mail

sinopse

Muito comum na nossa costa, é uma espécie típica da zona de marés, que gosta de se alojar em recantos entre as rochas. Facilmente podem ser observados vários indivíduos a apanhar sol durante a maré baixa, devido à capacidade de adaptação que este caranguejo tem à dessecação, podendo permanecer durante longos períodos fora de água. Os juvenis, menos adaptados preferem zonas mais húmidas ou pequenas poças de maré.
Quando se sentem ameaçados dirigem-se de imediato para dentro de água.
Apesar de ser mais frequente observar este caranguejo na zona de marés, pode ser encontrado até aos 7 metros de profundidade.
A sua alimentação é baseada essencialmente em algas que se encontram fixas às rochas. Facilmente se podem distinguir o macho da fêmea, onde para além das pinças serem de cor avermelhada e maiores nos machos, a forma do abdómen também diferencia os sexos. Enquanto que no macho o último segmento termina numa forma bicuda, na fêmea o mesmo segmento tem uma forma arredondada. Os machos são também normalmente maiores do que as fêmeas, cuja largura da carapaça pode atingir os 7 cm.

Identificação


grapsusPara além de outros factores que caracterizam esta espécie, a cor é um dos factores que ajuda na sua identificação. A coloração varia com a idade, apresentando, nos indivíduos jovens, uma coloração cinzenta azulada finamente ponteada de branco. Quando adultos a cor é mais escura e ponteada de amarelo e azulada nas proximidades dos bordos da carapaça, enquanto que as patas, as pinças e o bordo frontal da carapaça apresentam um vermelho carmim com zonas amarelas. Em áreas tropicais, a carapaça pode apresentar na sua totalidade esta coloração de vermelho carmim com manchas amarelas e azuis.

 

 

 

Distribuição


img_3163No Atlântico Oriental esta espécie distribui-se desde o sul de Portugal até à costa da Namíbia. Para além da Madeira, esta espécie também se encontra nos Açores, Canárias, Cabo Verde, Ilhas do Golfo da Guiné e ilha de Santa Helena.
A sua presença na Madeira foi assinalada em 1900 por Milne-Edwards e por Bouvier, onde foi capturado durante as expedições científicas dos navios científicos franceses “Travailleur” e “Talisman” nos anos de 1880 a 1883.

 

 

Curiosidades


img_9096Uma das características dos caranguejos é possuírem um exoesqueleto, apêndices articulados e corpo segmentado, tal como todos os artrópodes (do grego, arthron = articulação + podos = pés).
Muitas vezes observamos alguns caranguejos desta espécie que nos parecem mortos sobre as rochas. No entanto tratam-se apenas das carapaças vazias. Ao crescerem, os caranguejos precisam de abandonar o esqueleto velho, pequeno, e fabricar outro, maior. Esse fenómeno é chamado vulgarmente muda (tecnicamente ecdisis) e ocorre diversas vezes até cessar o crescimento na fase adulta. As carapaças deixadas ao acaso sobre as rochas são chamadas exúvias (do latim exuviae, "vestidos largados"). Durante esta fase o caranguejo tem a capacidade de regenerar alguma pata que entretanto tenha perdido.
Esta espécie não tem muito interesse comercial, no entanto é por vezes capturado na ilha da Madeira e servido à mesa como marisco.

 

Referências bibliográficas


Araújo, R. & Calado, R., 2003. Crustáceos Decápodes do arquipélago da Madeira. Biodiversidade Madeirense: Avaliação e Conservação. Direcção Regional do Ambiente da RAM Nº 4 236 pp.

Balss, H., 1922. Crustacea VI: Decapoda Brachyura (Oxyrhyncha bis [und] Brachyrhyncha) und geographische Übersicht über Crustacea Decapoda. In: Michaelsen W., Beiträge zur Kenntnis der Meeresfauna Westafricas, 3(3): 69-110.

González Pérez, J. A., 1995. Catálogo dos Crustáceos Decápodos de las Ilhas Canarias. Gambas. Lagostas. Cangrejos. Publicationes Turquesa S.L., Santa

Milne-Edwards A., Bouvier E.-L., 1900. Brachyures et Anomoures. In: Crustacés Décapodes, Première Partie. Expéditions Scientifiques  du Travailleur et Talisman pendent les Années 1880, 1881, 1882, 1883, Paris, 1: 1-396 + pl. 1-32.

Udekem d´Acoz, C. d’, 1999. Inventaire et distribution des crustacés décapodes de l’Atlantique nord-oriental, de la Méditerranée et des eux continentales adjacentes au nord de 25ºN. Patrimoines naturels (M.N.H.N./S.P.N.), 40 : 383 p.


 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Subfilo: Crustacea
Classe: Malacostraca
Ordem: Decapoda
Família: Grapsidae
Género: Grapsus
Espécie: G.adsensionis (Ozbeck, 1765)
Autor desta ficha
Rui Ricardo Pereira Araújo Correia Rui Ricardo Pereira Araújo Correia
Biólogo marinho e director do Museu de História Natural do Funchal
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